Política

Sol forte afasta os eleitores das ruas

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

Se ontem um estrangeiro “desembarcasse” do nada em Bauru, seria induzido a pensar que Rodrigo Agostinho (PMDB), próximo prefeito de Bauru, governará uma terra deserta. Tudo bem que era domingo - quando as pessoas preferem ficar em casa, descansando -, mas o movimento nas ruas foi fraco demais, sobretudo se levarmos em conta que era dia de se escolher o mandatário máximo do município.

Pelos quatro cantos da cidade, nada que pudesse lembrar a agitação e o barulho que costumam marcar os dias de votação. Nada de cabos eleitorais uniformizados, quase nada de santinhos e panfletos espalhados pelo chão, nada de pessoas discutindo se este ou aquele candidato é o melhor.

Teriam os bauruenses sido abduzidos por alguma nave extraterrestre? Impossível, do contrário, como explicar os 97.288 votos obtidos por Rodrigo Agostinho e os outros 81.896 conferidos a Caio Coube (PSDB)?

Os grandes culpados para o “sumiço” dos eleitores foram o sol forte e o calor intenso registrados ao longo do dia. À tarde, os termômetros do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) registraram temperatura máxima de 35 graus nas imediações do câmpus. À tarde, o sol ficou encoberto pelas nuvens e, mais tarde, alguns pontos da cidade foram atingidos por chuviscos rápidos.

O número reduzido de candidatos envolvidos na disputa (apenas dois, na fase atual, contra centenas de pleiteantes aos cargos de prefeito e vereador que participaram do primeiro turno) também colaborou para diminuir o interesse das pessoas pela eleição.

“Com menos candidatos na disputa, é natural que diminua o número de cabos eleitorais e apoiadores circulando pelas ruas”, ponderou Luciano Olavo Silva, chefe do cartório da 23.ª Zona Eleitoral de Bauru. Na opinião dele, o movimento nos locais de votação foi “tranqüilo, dentro das expectativas.”

Como o segundo turno foi realizado em um número relativamente pequeno de cidades, a quantidade de pessoas que precisaram justificar o voto acabou sendo bem menor do que no dia 5. Na Escola Estadual (EE) Christino Cabral, no Jardim Estoril, apenas 224 justificativas haviam sido entregues, até por volta das 16h.

À tarde, no local, no movimento era pequeno, e era difícil encontrar cabos eleitorais ou apoiadores de candidatos. Não que eles não tenham deixado sua marca: próximo à entrada da escola era possível notar diversos panfletos de apoio a Caio Coube espalhados pela calçada. Pelo menos na escola em questão, a promessa feita pela coordenação de campanha de Rodrigo Agostinho - de que seus militantes não jogariam papéis nas imediações dos locais de votação - foi de fato cumprida.

A cientista política Maria Teresa Kerbauy, professora da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Araraquara, acredita que a pequena mobilização dos militantes se deva a um cansaço natural provocado pela campanha. “Estava quente demais. Além disso, as pessoas já estavam com seu voto decidido e os candidatos perceberam que seria praticamente impossível fazer o eleitorado mudar de opinião àquela altura do campeonato”, avalia.

Além de afastar a boca-de-urna e a sujeira das imediações dos colégios eleitorais, o calor ajudou a “impulsionar” o negócio do sorveteiro Jovino Barbosa, 48 anos, morador do Jardim Redentor. Até por volta das 16h, ele havia conseguido vender cerca de 140 picolés nas proximidades da escola Christino Cabral. “Hoje (ontem), o movimento está bom”, garantiu. Menos sorte teve o vendedor de algodão-doce Carlos Pereira Aguiar, 37 anos, morador da Vila Independência. “No calor, a criançada prefere coisas geladas”, lamentou.

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