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‘Boleiros 2’ retrata futebol devassado


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Algo visível no cinema mais recente de Ugo Giorgetti é a percepção de que o passado já foi melhor que o presente. Em “Boleiros 2 - Vencedores e Vencidos” (Canal Brasil, 22h de hoje) não é preciso ir longe: basta ver o bar onde se passa a ação, modernizado em relação ao primeiro “Boleiros”.

E se o filme anterior tratava de um mundo em última instância desconhecida para o torcedor leigo - a intimidade dos jogadores -, aqui a ênfase vai exatamente para a intimidade impossível. Tudo parece devassado pela mídia. E daí para a devastação é um pulo, pois já não existe mistério possível, apenas sessões de autógrafos para fãs histéricas.

Talvez nos seja necessário acreditar que o futuro será mais radioso que o passado. Por isso, talvez, o filme tenha sido ignorado. Não é impossível que o mal seja outro: os filmes com um ponto de vista muito claro sobre as coisas ameaçam o postulado de que cinema só pode ser uma diversão inconseqüente.

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