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Temporais deixam 6 mil desalojados

Folhapress
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São Paulo - Uma pessoa morreu e mais de 6 mil ficaram desalojadas em razão dos temporais que atingem a região Sul do País. Dois municípios do Rio Grande do Sul e dois de Santa Catarina decretaram situação de emergência. Segundo as Defesas Civis dos Estados, os temporais e enchentes prejudicaram cerca de 25 mil pessoas. A cidade mais atingida pela cheia dos rios foi Encantado (170 quilômetros de Porto Alegre), onde cerca de 3.500 pessoas tiveram de deixar as suas e foram improvisadas em ginásios e centros comunitários.

Segundo os bombeiros, o nível do rio Taquari, que passa ao lado da cidade, chegou a subir de 9,7 metros para 15,9 metros. Em Cerro Largo (547 quilômetros de Porto Alegre), uma chuva de granizo destelhou aproximadamente 250 casas e prejudicou cerca de 1.200 pessoas.

A cidade já decretou situação de emergência e recebeu parte dos colchões, cestas básicas, kits de limpeza, telhas e lonas entregues pela Defesa Civil na região norte do Estado. “Amanhã, é possível que a cheia chegue ao rio dos Sinos (que fica perto da região metropolitana de Porto Alegre). Há um monitoramento e já há alojamentos preparados caso a população precise”, diz o capitão Alexsandro Goi, da Defesa Civil gaúcha.

Em Santa Catarina, um homem de 39 anos morreu ao ser atingido por uma árvore que tombou com o vendaval em Campo Alegre (234 quilômetros de Florianópolis). Antes do acidente, ele ainda conseguiu salvar uma criança que estava ao seu lado.

Na região central do Rio Grande do Sul, quase 500 lavouras de fumo foram destruídas pela chuva de granizo que atingiu Santa Cruz do Sul, segundo a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra). Os técnicos da entidade ainda percorrem as plantações para calcular o prejuízo causado pelo temporal, que afetou cerca de 10% da produção do município.

Outubro chuvoso

Segundo o meteorologista do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (Cptec), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Marcos Moura, as fortes chuvas com vento não são um fenômeno raro nesta época do ano no Sul.

Ele diz que a instabilidade no tempo foi provocada pelo processo de formação de uma onda frontal (duas massas de ar, sendo uma mais fria que a outra).

A meteorologista do Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia de SC (Ciram) Marilene de Lima afirma que os temporais não têm relação com fenômenos de maior escala, como o El Niño (aquecimento das águas do Oceano Pacífico), que provoca primaveras chuvosas no Sul do País.

Lima afirma que as chuvas intensas e persistentes foram produzidas pelo encontro de frentes frias com um fluxo de umidade vindo da Amazônia. Segundo o Inmet no Rio Grande do Sul, ontem a estação pluviométrica de Passo Fundo, na região norte do Estado, apontava 302 milímetros de chuva acumulada neste mês, sendo que média mensal de outubro é de 167 milímetros.

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