A crise internacional não atrapalhou a concessão do leilão de cinco estradas estaduais à iniciativa privada. A rodovia Marechal Rondon trecho Oeste (SP-300) teve deságio (desconto) de 40,59% sobre a atual tarifa por quilômetro proposto pelo consórcio BR Vias SP, atual concessionário da Transbrasiliana (BR-153). O trecho Leste da Rondon teve deságio menor, de 13,09%, ofertado pelo Consórcio Brasinfra, Ascendi e Leão&Leão. O corredor Raposo Tavares, que inclui a rodovia Bauru-Ipaussu (SP-225), vai ficar sob concessão da Invepar OAS, que ofereceu deságio de 16,11%.
O Estado vai receber nos próximos 18 meses R$ 3,4 bilhões em recursos pelo aluguel da estrada (pagamento da outorga) e viabilizará investimentos privados de R$ 8 bilhões ao longo de 30 anos de concessão.
O corredor Ayrton Senna/Carvalho Pinto teve com a proposta de 59,6% sobre a atual tarifa de pedágio, a maior dos cinco lotes, a vitória do Consórcio Triunfo Participações e Investimentos. O trecho tem extensão de 142 quilômetros, mas o menor deságio foi o corredor D.Pedro I de apenas 6% da tarifa mínima. O vencedor foi Odebrechet, que concorreu sozinha.
A Rondon Oeste passa por 22 cidades. Começa em Avaí e termina em Castilho numa extensão de 667 quilômetros. Dos cinco trechos, este foi o mais disputado, entre Consórcio Invepar-OAS, Consórcio Equipav S.A. Pavimentação, Engenharia e Comércio, Consórcio Autorondon, Triunfo Participações e Investimentos, Odebrecht Investimentos e Infraestrutura Ltda e o Consórcio CEGEMS Rondon Oeste. A BR Vias SP ganhou com a proposta de R$ 0,064099 e já tem a concessão da BR-153, que corta o Estado entre Icém, na divisa com Minas Gerais, até Ourinhos. A disputa foi apertada.
O Corredor Rondon Leste de 415 km teve apenas dois participantes: Brasinfra e BR Vias SP. O trecho compreende as regiões formadas pelos municípios de Piracicaba, Campinas, Botucatu, Itu e Salto. A concessão tem início em Tietê e termina em Bauru, onde cruza com a SP-225. A tarifa que venceu a concorrência foi de R$ 0,093774 da Brasinfra.
A Prefeitura de Botucatu tentou brecar na Justiça o leilão da Rondon Leste por discordar da instalação de pedágio no km 261,12, entre Botucatu e São Manuel, mas não conseguiu liminar.
O Corredor Raposo Tavares (SP-270) inclui a João Baptista Cabral Rennó (SP-225) e a Orlando Quagliato (SP-327). O Consórcio Invepar OAS foi o vencedor com a proposta de 0,090525 por quilômetro, um deságio de 16,11%, segundo a Artesp. O outro concorrente foi consórcio Triunfo Participações e Invest S.A (TPI).
O trecho compreende os municípios de Bauru, Ourinhos, Assis e Presidente Prudente com extensão de 444 quilômetros e mais de 389,8 quilômetros de estradas vicinais. O consórcio que venceu vai ter que investir R$ 1,803 bilhão.
A SP-225 não vai ser duplicada. A justificativa é que o movimento diário de veículos ainda é baixo. O total de 63,86 km é um dos piores de todo o corredor. No edital consta apenas a construção de marginais no trecho urbano de Bauru (do km 235 ao km 241 nos dois lados da pista.
O investimento é para 2018 e 2019. Duas praças de pedágios vão ser instaladas, uma em Piratininga e outra Santa Cruz do Rio Pardo. A SP-225 tem um trecho duplicado que vai do trevo da Castelo Branco em Espírito Santo do Turvo ao trevo da rodovia Orlando Quagliato (SP-327), em Santa Cruz do Rio Pardo.
O governo adotou o modelo de concessão onerosa pelo prazo de 30 anos. Ao final do prazo de concessão, as rodovias voltam para o Estado com as melhorias realizadas pelas concessionárias.
A cobrança do pedágio somente ocorrerá após autorização da Artesp e depois de concluído o Programa Intensivo de Investimentos, o qual envolve obras imediatas de recuperação de pavimento, de construção de praças de pedágios manual, semi-automático e automático, instalação de equipamentos em monitoração e Serviço de Atendimento ao Usuário (SAU).
Pelo edital, a cobrança do pedágio nas praças existentes em determinados lotes passará a ser exercida pela concessionária no dia subseqüente à assinatura do contrato.