Economia & Negócios

Finados traz oportunidade de renda extra a trabalhadores

Por Gabriel Ottoboni | Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Comemorado com missa em homenagem aos mortos, lembrados pelas famílias e amigos, o dia de Finados, celebrado em 2 de novembro, também é sinônimo de renda extra para muita gente. A quatro dias da data, o comércio local se prepara para incrementar as vendas de vasos, flores e velas. Em uma das floriculturas consultadas pela reportagem, a expectativa é de aumentar o faturamento em 20% em comparação aos meses anteriores.

O período também é visto como oportunidade para quem trabalha limpando túmulos durante todo o ano. Ontem, no Cemitério da Saudade, região central de Bauru, era grande o movimento de pessoas trabalhando com baldes e vassouras para deixar os jazigos mais bonitos.

Há nove anos trabalhando com limpeza de túmulos no local, Marinalva Aparecida dos Santos reclama da concorrência. Ela, que cobra entre R$ 15,00 e R$ 20,00 por cada limpeza, encontrou nesta atividade sua única fonte de renda. Ela não sabe, no entanto, quantos jazigos irá lavar até domingo.

“Mas não serão muitos, não”, calcula Marinalva, cujo salário não ultrapassa R$ 250,00 por mês. Ontem, ela chegou ao cemitério por volta das 8h e disse que havia “perdido a conta” de quantas pessoas realizavam o mesmo trabalho.

A estudante Jéssica de Castro encontrou no cemitério a única forma de complementar a renda da família. A mãe dela trabalha no local há 25 anos. Até domingo, ela afirma que irá limpar 40 túmulos - são 250 por mês.

Preços

O preço cobrado pelo serviço varia de acordo com o tamanho do túmulo. Os que necessitam de cera e possuem peças de bronze que precisam ser limpas custam R$ 60,00. “Em menos de uma hora, termino o serviço”, garante Jéssica, que utiliza detergente, cera, limão e esponja de aço para a faxina.

Há dois anos no ramo, ela garante que o trabalho é temporário. “Quando eu tiver um emprego melhor, saio daqui”, afirma. A única vantagem apontada por ela é o fato de não ter patrão. “Aqui é sossegado, não tem ninguém falando na minha orelha”, brinca. “Mas não tenho registro e nem férias”, lamenta.

O aposentado Vicente de Oliveira também encontrou no cemitério uma forma de incrementar seus rendimentos. Embora a procura pelo serviço aumente, os clientes fixos não permitem que ele pegue trabalhos extras. “Dá para tirar uma grana boa”, revela Oliveira, que preferiu não revelar o valor.

Nas floriculturas, as opiniões se dividem. Proprietário de uma loja, Nilson Borim comemora: o estabelecimento deverá aumentar as vendas em 20%. “Como temos clientes fixos, faremos entregas nas residências até sábado”, afirma. As flores, naturais, têm preços entre R$ 5,00 e R$ 25,00.

Já para Aline Campos Baravieira, a situação é outra. “O faturamento seria bom se não tivéssemos tantos ambulantes trabalhando durante a data”, avalia.

Um deles é o autônomo José Roberto Almeida. Ele vende o maço com oito velas a R$ 1,50, além de flores naturais e artificiais. “Hoje (ontem) o movimento está fraco, porém, a partir de sexta-feira irá aumentar”, garante. Para vender todo o material, ele avisa que aceita inclusive negociar com os clientes. “Preciso vender tudo”, conclui.

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Dia de lembrar os mortos

O dia de Finados é comemorado pela Igreja Católica no dia 2 de novembro, logo após o Dia de Todos os Santos. Os falecidos eram lembrados desde o século II, quando os cristãos visitavam os túmulos dos mártires para rezar pelos que haviam morrido. No século V, a igreja dedicava um dia do ano para rezar por aqueles que ninguém rezava ou se lembrava, os falecidos. Em 998, o abade de Cluny, Santo Odilon, pedia aos monges que orassem pelos mortos.

Desde o século XI, os Papas Silvestre II (1009), João XVII (1009) e Leão IX (1015) obrigam a comunidade a dedicar um dia aos mortos. No século XIII esse dia passou a ser comemorado em 2 de novembro, devido ao dia 1 do mesmo mês ser a festa de Todos os Santos. O dia de Finados é comemorado com missas e festividades em homenagem aos mortos.

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