Polícia

Vistoria vira pesadelo para motoristas

Gabriel Ottoboni
| Tempo de leitura: 3 min

Um procedimento de rotina está, literalmente, tirando o sono de muitos motoristas de Bauru e região. Para conseguir que o veículo seja vistoriado na 5ª. Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) de Bauru, eles têm de enfrentar fila desde, muitas vezes, o início da noite anterior. Alguns preferem deixar o veículo estacionado e ir embora para voltar na manhã seguinte. Mas outros dormem no carro. O procedimento é necessário para transferência de veículos e retirada da segunda via de documentos.

As filas ocorrem todos os dias porque desde o início da greve dos policiais civis, em 10 de setembro, o serviço de vistoria de veículos está reduzido a 30% da capacidade da Ciretran. Antes do movimento, eram realizadas 200 vistorias por dia, número que caiu para 60.

Ontem pela manhã, o Jornal da Cidade acompanhou a espera de motoristas e motociclistas em busca das senhas que garantem o atendimento. Às 8h, mais de 40 veículos aguardavam para serem atendidos. Como resultado da longa espera, muitos perderam o dia de serviço. E ganharam dor de cabeça – esperaram até à tarde por senhas.

Para garantir o primeiro lugar da fila, a solução encontrada pelo comerciante Ricardo Lourenço, 34 anos, foi deixar o carro no pátio da Ciretran em posição de vistoria. Ele estacionou o veículo às 23h de quarta-feira e retornou ao local apenas às 6h30 de ontem. “Foi a única maneira de fazer a vistoria”, justifica. Lourenço admite que, mesmo com a presença de um vigia na guarita da Ciretran, o risco de furto é grande.

Segundo o comerciante, no entanto, o principal transtorno é a demora para a realização do serviço. Ontem, apenas um funcionário trabalhava no local - cada vistoria demora, em média, 10 minutos. O vistoriador José Roberto Medeiros Nogueira informou que a categoria trabalha com 100% do efeito, porém disponibiliza apenas 30% para a realização de serviços.

Dia de trabalho

O tempo longe do emprego também preocupa os motoristas. “Temos apenas hora para chegar e não para sair, além de enfrentar fila igual a todo mundo”, diz Lourenço. Ele afirma que, há dez dias, chegou no local às 4h da manhã e, após uma desistência, conseguiu ser atendido. “Mas saí apenas às 14h30”.

O motorista Luís Carlos Francisco de Oliveira chegou na Ciretran às 3h da manhã para realizar a vistoria semestral na van que utiliza para fazer transporte escolar. “Estou sendo obrigado a encarar a fila”, disse. Como começa a trabalhar às 5h30, a instituição de ensino teve de enviar comunicado aos pais informando que o transporte dos filhos seria prejudicado. Ele, no entanto, estava confiante. “Acredito que vai dar certo (a vistoria), se Deus quiser”.

Álvaro Canaver adquiriu um Escort e precisava fazer a vistoria. Chegou na Ciretran às 23h15 de quarta-feira e era o terceiro da fila. Dormiu dentro do carro. “Não temos nada a ver com a greve”, reclama ele, que trabalha com serviços gerais. O delegado titular da 5.ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran), Dernival Inforzato, não quis conceder entrevista. Disse que não falaria sobre qualquer assunto relacionado à greve.

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