Quanto vale a vida? Se você não sabe qual a resposta exata para essa simples pergunta, talvez também não saiba responder quanto custa a morte. Só quem passou por esse drama e perdeu um familiar de forma inesperada talvez possa responder a essa questão. É que liberar e preparar o corpo, adquirir uma urna funerária, escolher o local adequado para as despedidas e preparar os documentos necessários para atestar o óbito e o sepultamento geralmente fazem a “limpa” no bolso dos menos preocupados.
Os gastos são infinitos: se paga para tudo, às vezes mais que o necessário. Em média, um funeral dos mais simples, que inclui apenas a liberação do corpo, urna básica, documentação e serviço de copa, não sai por menos de R$ 1.300,00. Os mais sofisticados, com inclusão de urna especial, salão velatório e preparação especial do corpo, podem chegar a custar R$ 8 mil.
Os números indicam uma indústria rentável, que se esmera para oferecer diferenciais no momento de dor para uma população que chega a pouco mais de 357 mil habitantes, segundo a Fundação Sistema de Análise de Dados (Seade), e registra cerca de 250 mortes por mês, de acordo com os dois cartórios civis do município.
Para atendê-la, a cidade conta com oito cemitérios da cidade em atividade, entre municipais e privados, que atingiram a marca de 122 mil sepultados. O mais antigo deles, o Cemitério da Saudade, não tem mais espaço para abertura de novos jazigos e nele só podem ser sepultadas os corpos de pessoas cujas famílias já possuem espaço no local.
A mesma situação se repete nos cemitérios municipais São Benedito, Redentor e Tibiriçá. A exceção fica por conta do Cemitério Cristo Rei, localizado no Parque Roosevelt, que, de acordo com a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), possui vida útil de mais 10 anos, aproximadamente.
Além dos cemitérios municipais, a cidade conta ainda com outros dois que pertencem à iniciativa privada. O Parque dos Ypês registra atualmente cerca de 9.600 sepultamentos e tem capacidade para chegar a 36 mil, de acordo com a administração do empreendimento. Já o Memorial Bauru, localizado ao lado do Cemitério da Saudade, conta com 414 jazigos prontos, onde se encontram sepultadas cerca de 300 pessoas, mas o projeto da obra contempla 16 mil jazigos com capacidade para seis corpos cada.
Além deles, até o final deste ano, um novo cemitério parque, o Jardim dos Lírios, deverá entrar em operação na cidade, ampliando a capacidade de sepultamentos do município. A maior parte dos funerais é realizada por oito empresas, incluindo uma municipal, mantida pela Emdurb e destinada a atender famílias sem condições financeiras para arcar com os gastos do processo funeral.
De olho num mercado que crise nenhuma abala, as empresas funerárias criaram um sistema chamado de fundo mútuo. As regras mudam de uma empresa para outra. Algumas aceitam apenas pai, mãe e filhos, outras a inclusão de parentes como pai e mãe dos titulares, mediante o pagamento de um valor extra na parcela.
Os preços também variam bastante. De acordo com o plano e os benefícios de cada contrato, os valores vão de R$ 12,00 até, no máximo, R$ 30,00. Essa taxa é paga todo mês, até o falecimento de todas as pessoas incluídas no plano.
Como a “indústria da morte” movimenta milhões todo ano, a briga por esse tipo de clientes, chamados de “vitalícios”, torna a concorrência entre as empresas bem quente. Reflexo disso é a tentativa de oferecer novos benefícios para cativar essas pessoas. Tanto que, hoje em dia, além de procurar reduzir o máximo as preocupações e obrigações dos familiares, o planos procuram oferecer outros benefícios além dos ligados ao funeral.
Danilo Rodrigues Moura, responsável pela área de convênios de uma empresa funerária, explica que os benefícios vão desde desconto em compra de medicamentos até preço mais em conta em postos de combustível. “Hoje o fundo mútuo é o carro-chefe de qualquer funerária”, afirma.
José Donizeti Crisóstimo, proprietário de outra empresa, explica que o falecimento de um assegurado não é vantajoso. “A gente reza todo dia para os nossos assegurados terem vida longa”, brinca. De acordo com ele, a família que contrata o serviço funerário particular pode se ver obrigado a pagar bem mais caro.