Diante da crescente onda de vandalismo a que Bauru vem assistindo nos últimos meses, o Conselho de Segurança (Conseg) Centro/Sul irá iniciar uma campanha de combate à pichação na cidade. Com base em uma proposta do vereador e empresário Primo Mangialardo e em parceria com a Comissão de Assuntos Comunitários da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Bauru, várias frentes de ação já estão sendo planejadas.
A primeira delas, segundo Pelegrino Bacci Neto, secretário-executivo do Conseg Centro/Sul, será distribuir 50 mil folhetos explicativos nos pontos de maior fluxo de pedestres e veículos de Bauru. Os informes, que serão patrocinados por empresários da cidade, incentivarão o registro de boletins de ocorrência pelos danos causados pelos vândalos e também a denúncia desses infratores à polícia.
“Os patrocínios para a confecção dos panfletos já estão quase todos definidos. Agora precisamos conversar com o Fernando (Dias, chargista) para que ele nos autorize a utilizar a charge publicada na edição de domingo do Jornal da Cidade”, detalha. A ilustração do artista, veiculada na página 2, trazia dois vândalos pichando a palavra “impunidade”.
Assim como a distribuição de folhetos, palestras serão realizadas em escolas e associações de bairros com o objetivo de conscientizar pais e jovens sobre os prejuízos e penalidades relacionadas ao ato de rabiscar muros com tinta e spray. “O que a gente quer é mostrar que pichação é crime e que o autor ou seu responsável será punido por isso. Nem que ele tenha que pintar parede, como forma de prestar serviço à comunidade”, afirma Bacci Neto.
No Centro
Quem descreve os atos contra o ordenamento público e ao patrimônio cultural é a Lei de Crimes Ambientais. Na seção 4, consta que pichar ou grafitar edificação ou monumento urbano pode implicar em prisão de três meses a um ano, além de multa. Se o imóvel for tombado por seu valor histórico e artístico, a pena é de seis meses a um ano e multa.
O coordenador explica que a campanha será iniciada na região central da cidade, onde o problema é mais evidente, e depois expandido para a periferia. “A pichação está presente na cidade toda, mas vamos começar pelo Centro, que é a parte mais visível”, conta.
Os responsáveis pelo projeto também pretendem visitar proprietários de lojas de tintas, que geralmente conhecem seus clientes e, por isso, poderiam ajudar a polícia a identificar quem são os autores das pichações na cidade. “A gente também vai orientá-los a não vender spray para menores de idade”, pontua Bacci Neto.
Outra ação será trazer a Bauru o delegado Marcos Morés, do 3.º Distrito da Polícia Civil de Botucatu, que conseguiu frear o vandalismo na cidade, em 2006. Segundo Fábio Simonetti, coordenador da Comissão de Assuntos Comunitários da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Bauru, a idéia é realizar uma audiência pública em que Morés poderá relatar sua experiência bem- sucedida a representantes das polícias Civil e Militar, Poder Judiciário, entre outros.
“Em Botucatu, a pichação diminuiu drasticamente. De alguma forma, queremos trazer soluções para esse problema que está generalizado em Bauru. Do jeito que está, não pode continuar”, frisa. A expectativa é que, dentro de 20 dias, toda a campanha já esteja nas ruas.