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Agressão expõe falta de abrigo feminino

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Na noite de ontem, uma mulher de 25 anos foi espancada pelo marido em sua residência, no Jardim Godoy, em Bauru. Alegando estar com medo das ameaças de morte e cansada dos constantes constrangimentos a que vem sendo submetida, ela fugiu de casa com os três filhos, de 8, 7 e 4 anos.

Com o rosto marcado pela violência do companheiro, L. R. P. I. se recusou a receber atendimento no Pronto-Socorro Central com medo que levassem suas crianças e foi abrigada no Albergue Noturno, mantido pelo Centro Espírita Amor e Caridade (Ceac), onde poderia permanecer por até três dias.

No entanto, segundo apurou a reportagem, L. teria sido hostilizada pelos demais abrigados em razão da inquietação de seus filhos. No final da tarde de ontem, quando o marido apareceu à porta da entidade, ela resolveu se esconder na casa de um parente.

A violência doméstica sofrida por L., ainda comum mesmo com as punições mais rigorosas impostas pela Lei Maria da Penha, expõe a necessidade urgente da instalação de uma casa-abrigo para hospedar mulheres agredidas por seus companheiros, um projeto antigo na cidade, mas que nunca saiu do papel.

No ano passado, a prefeitura chegou a divulgar um edital de chamamento para entidades assistenciais interessadas em executar o serviço. Ocorre que não houve inscritos, segundo informa a titular da Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes), Egli Muniz.

“O principal entrave é a preocupação dessas entidades em dar conta de garantir a segurança dessas mulheres e crianças. Realmente, é uma grande responsabilidade. A secretaria já tinha, inclusive, recursos reservados para isso, mas não foi possível cumprir essa meta por esse motivo”, conta.

Ela reconhece a necessidade de uma casa-abrigo na cidade, mas ressalta que seria inviável a própria prefeitura assumir essa tarefa sem o apoio de uma entidade interessada em administrá-la. Segundo a secretária, os recursos para a manutenção do abrigo seriam provenientes do Fundo Municipal da Assistência Social e designado pela prefeitura à instituição responsável pelo serviço.

Para 2009

Embora não tenha revelado o montante, Egli afirma que já há orçamento previsto para investir na instalação da casa a partir do ano que vem. “O que a gente espera é que a próxima gestão consiga negociar com alguma entidade ou criar uma outra alternativa para superar essa demanda”, pondera.

A reportagem tentou entrar em contato com o prefeito eleito Rodrigo Agostinho, que está em viagem a Brasília. No entanto, em razão de uma pane no sistema de telefonia da Vivo, não foi possível localizá-lo para comentar o assunto.

A idéia, segundo Egli, era que o abrigo acolhesse tanto as mulheres vítimas de maus-tratos quanto seus filhos. Lá, eles seriam assistidos por psicólogos, agentes educacionais e assistentes sociais. Também receberiam atendimento psicológico e social do Centro Integrado de Atenção às Vítimas de Violência (Ciavv), que já desenvolve trabalho no município.

Foi para lá que L. foi encaminhada na tarde de ontem, assim como seu marido, M. J. I., 31 anos. Segundo informações, ele teria dito que agrediu a mulher por ter sido traído por ela. Já a vítima afirmou que não queria mais viver com o companheiro pelas agressões constantes que sofria.

“Ele disse que é apaixonado por ela e que não quer que ela vá embora. Ele se mostrou muito possessivo e desequilibrado, mas aceitou o tratamento psicológico e se prontificou a ficar longe da mulher até tudo se resolver”, disse uma funcionária, que preferiu não se identificar. Ela explica que, caso o Ciavv concluir que L. e seus filhos correm risco de vida, eles terão de ser encaminhados para um abrigo fora da cidade.

“As crianças estavam bem, o marido disse que estava arrependido, mas tudo vai depender de como a situação deles será conduzida dentro do Ciavv”, comenta a assistente social Nilza Oshiro, coordenadora do Albergue Noturno.

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