Regional

Leishmaniose se alastra rapidamente em seis bairros de Lençóis Pta.

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

Lençóis Paulista - Apesar dos esforços das equipes da Vigilância Epidemiológica para barrar a proliferação da leishmaniose, a doença em cães se alastra para novas regiões de Lençóis Paulista (43 quilômetros de Bauru). A área de ocorrência da leishmaniose aumentou. Inicialmente, os registros se concentraram na zona norte da cidade, com casos nas Vilas Cruzeiro e Contente e bairro São João. Agora, a doença se expandiu para o Jardim Alvorada e Parque Rondon.

De nove casos em outubro, a leishmaniose saltou para 13 registros até ontem, sendo 11 animais que contraíram a doença no município (autóctones). Ao comentar a gravidade da epidemia, a médica Cristina Baptistella, coordenadora de Saúde Comunitária da Diretoria de Saúde do município, destaca que Lençóis nunca teve casos da doença no município (autóctones). “Hoje estamos com 13 e aumentando rapidamente. Com certeza nós estamos com uma epidemia de leishmaniose no município”, enfatiza Baptistella. Os 13 cães infectados já foram sacrificados.

Ela acrescenta que aguarda exames de quatro casos suspeitos em que as amostras de sangue dos cachorros passam por análise. O tempo de espera pela divulgação dos resultados é de uma semana até dez dias.

Devido à expansão da doença, regiões distantes do Centro estão sendo monitoradas. “Estamos aguardando resultados de casos um pouco mais longe. Mas são exames que a gente não tem confirmação”, explica a médica.

O JC visitou, ontem, o Parque Rondon onde foram identificados animais infectados. A moradora Maria de Oliveira, 16 anos, diz que tem acompanhado a divulgação do problema pela imprensa. Ela reside em imóvel na rua Gilson Claudinei Bernardes há 16 anos. Maria se diz preocupada com a doença mesmo sem ter cachorro em casa. Lindinalva Santos, 71 anos, vizinha de Maria, diz que ouviu falar de casos na Vila Cruzeiro, bairro próximo do Parque Rondon. Para ela, que mora no bairro há 28 anos, leishmaniose em cães é uma novidade inesperada e indesejável.

Caça ao mosquitinho

Desde outubro, um batalhão de cerca de 120 pessoas da Vigilância Epidemiológica e agentes comunitários fazem arrastões diariamente para conscientizar a população. Baptistella explica que o trabalho é de eliminação de galinheiros, cuidado com plantas com flores, galhos e frutas para eliminar a proliferação do mosquito palha (transmissor da leishmaniose).

A coordenadora de Saúde Comunitária da Diretoria de Saúde, a médica Cristina Baptistella, explica que o pessoal do corpo-a-corpo atua para convencer a população da importância do combate ao mosquito palha, porém sem disseminar o pânico. “Na verdade, estamos tentando esclarecer para tentar ver se a gente consegue contornar uma situação extremamente difícil”, ressalta.

Alguns procedimentos básicos são fundamentais para controlar a epidemia da doença em animais. A médica orienta para que a população não jogue lixo em terrenos e não acumule lixo nos quintais. Frutas e folhas devem ser coletadas e enterradas. As fezes de animais têm que ser recolhidas. Essas recomendações evitam que exista matéria orgânica favorável à proliferação do mosquito.

Um caminhão recolhe diariamente entulho e material descartável em várias regiões do município. Em caso de desconfiança de animal portador da doença, Baptistella orienta para que a população informe à prefeitura para que um veterinário faça o diagnóstico e oriente o proprietário. Outras informações podem ser obtidas pelo telefone da Vigilância Sanitária (14) 3263-0020 (ramal 28).

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