Tribuna do Leitor

Alterações do português


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Muitos ex-alunos e alguns colegas, professores de português, têm me questionado a respeito das mudanças que devem ser efetuadas no português do Brasil a partir do próximo ano. Tenho acompanhado há alguns anos, os diversos estudos feitos sobre o assunto e, sem dúvida, algumas alterações já foram efetuadas. É bom que nos lembremos, porém, de que há diferenças entre língua, linguajar, dialeto e regionalismo.

Há regionalismos próprios do português falado em Portugal, tanto no continente quanto nas diversas localidades ultramarinas; há diferença entre linguajar português (de Portugal) e o linguajar do português do Brasil, de Angola, da Ilha da Madeira, como há diferenças do linguajar carioca, do linguajar nordestino, do linguajar mineiro, etc.

Na verdade, alterações morfológicas, lingüísticas, semânticas, estruturais e fonéticas capazes de alterar profundamente a língua portuguesa, ainda não foram objeto de medidas sérias, profundas. Uso do trema, acento diacrítico que já não é necessário, acento fonético de ditongos abertos oi, éi etc., nada disto implica em alterações profundas; nada disto é capaz de determinar uma alteração mesmo que superficial da língua portuguesa. Tudo isto, por enquanto, não justifica se falar em língua portuguesa do Brasil distinta da língua portuguesa de Portugal.

Nada do que está proposto, até agora, impedirá que os naturais de Portugal, de Cabo Verde, de Macau, do Timor Leste, da Ilha da Madeira, do Brasil, seja do Norte, sejam do Nordeste, do Sul ou do Sudeste, se entendam perfeitamente usando, cada qual o seu linguajar. Na verdade, a língua portuguesa, na sua essência, é a mesma em todos esses lugares. Em suma, as propostas feitas até aqui, são irrelevantes e tal fato, muito em breve, ficará demonstrado na prática.

José Benedicto Pinto - RG 4.440.349

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