Economia & Negócios

Cartilha orienta os empresários a lidar com a crise mundial

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 4 min

A turbulência da economia mundial, causada pela crise financeira nos Estados Unidos e Europa, já afeta algumas empresas de Bauru e região. Para orientar os empreendedores a superar essa fase, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) de São Paulo preparou a cartilha “Como agir na crise”, disponibilizada gratuitamente na página na Internet (www.sebraesp.com.br).

Milton Debiase, gerente do Sebrae-SP em Bauru, destaca que o documento é simples e traz dicas e informações. “Vai ajudar muito a entender a realidade da crise”, afirma. Debiase destaca que a cartilha foi elaborada por Antônio Carlos de Matos, gerente de consultoria empresarial do Sebrae e Marco Aurélio Bedê, do Observatório das Micro e Pequenas Empresas da entidade. “Pessoas muito importantes no Sebrae, e com profundo conhecimento de mercado e das empresas do Estado”, ressalta.

Para ele, a cartilha deverá auxiliar os empreendedores a superar a crise. “Dessa forma, os empresários poderão tomar suas decisões de forma acertada, com consciência”, afirma. Debiase explica que o Sebrae de Bauru não está sendo procurado por pessoas que já estão enfrentando dificuldades com a crise. “Os problemas que são apontados ainda são os de rotina”.

O gerente destaca que os empresários de Bauru ainda não investem na formação de um banco de dados de seus clientes, que poderia ser necessário para a criação de uma estratégia de marketing para superar a turbulência do mercado. “Dessa forma, ele não entende as necessidades do cliente. Hoje em dia, para se tomar uma decisão acertada, é preciso conhecer a realidade de seus clientes. Desenvolver com eles uma saída adequada”, observa.

Apesar do Sebrae de Bauru ainda não ter sido procurado para auxiliar empresas com problemas causados pela crise, alguns setores já sentem a turbulência que chacoalha o resto do mundo. Proprietário de uma confecção, Leandro Lucas Martins Silva conta que já cortou o turno da madrugada dos bordados e não contratará ninguém para a produção de final de ano.

“A maior dificuldade é que a matéria-prima, algodão e poliéster, é cotada em dólar. Já subiu 6% o preço e nos próximos meses a expectativa é que eles façam mais dois aumentos”, conta. O empresário afirma que o acréscimo no preço da matéria-prima não foi repassado ao consumidor, mas não esconde que a decisão provocou dificuldades. Todo final de ano, ele costumava aumentar o quadro de 20 funcionários para dar conta da produção, mas dessa vez, não chamou ninguém. “Quem sabe, não vou ter que cortar”, lamenta.

A principal dificuldade enfrentada pelo empresário, é a indefinição dos clientes. Como todo mundo está apreensivo, nenhum contrato foi fechado ainda. Além disso, a produção de final de ano serve para compensar o período de baixa do setor, que vai até o Carnaval. “Além de não termos fechado nenhum contrato, não teremos reserva para o começo de 2009”, afirma.

Região

Um curtume de Bocaina já reduziu a produção - que costumava girar em 20 mil metros de couro por mês - em 50%. “Nossos principais clientes - indústria de calçados de Jaú, reduziram a produção, então, temos que parar”, lamenta o gerente administrativo financeiro Edson Nascimento.

O curtume também não deverá efetuar contratações temporárias neste ano. “Devemos manter a produção com nossos 35 funcionários. Geralmente, aumentaríamos em 30% o quadro”, conta.

Porém, ele está otimista com 2009. A empresa fez um grande investimento neste ano, aumentou a fábrica, modernizou equipamentos e deve atingir a meta de 40 mil metros de couro por mês. “Queremos sair na frente no ano que vem. Começamos esse investimento e não podemos parar. Vamos correr atrás dessa meta”, diz.

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Projeto

A cartilha foi dividida em duas parte. A primeira orienta como as micro e pequenas empresas devem agir na crise em oito situações específicas: empreendimentos que vendem para o consumidor final no mercado interno, os que vendem para grandes empresas, que os vendem bens de capital, pequenas empresas, que utilizam crédito bancário para financiar a venda de seus produtos para o consumidor final, as que precisam de crédito bancário para capital de giro e investimento, pequenas empresas importadoras ou que utilizam insumos importados e uma reflexão sobre investimento.

A outra parte, mais abrangente, vale para todos os empresários. Neste caso, a dica é atenção às vendas, na definição de preços e obtenção de recursos.

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