Roma - No encontro que teve ontem com o papa Bento XVI, no Vaticano, o presidente Lula pediu que o pontífice incluísse a questão da crise financeira mundial em seus pronunciamentos. “Eu pedi ao papa que nos seus pronunciamentos ele fale da crise econômica, pois se todo o domingo o papa der um ‘conselhozinho’ quem sabe a gente encontra mais facilidade para resolver o problema”, disse o presidente.
“Falamos da crise econômica. Eu contei para ele que eu vou para os Estados Unidos discutir a crise econômica. Eu disse a ele que em todas essas crises o que me preocupa é que o empresário pode perder um pouco, mas vai continuar sendo empresário, vai continuar rico, ou seja, os setores mais avançados da sociedade que ganham mais vão perder um pouco, mas continuarão comendo e bebendo, jantando e almoçando. A minha preocupação é sempre com os mais pobres. A minha preocupação é que a crise não resulte no empobrecimento daqueles que já são pobres. Sobretudo olhando para os países de menores economias, olhando para os países africanos”, disse Lula. De acordo com Lula, o papa disse que também considera a crise grave.
O encontro reservado de Lula com o papa Bento XVI durou 24 minutos e ocorreu na biblioteca, em uma sala utilizada normalmente para receber chefes de Estado.
O presidente disse ter ficado surpreso com o nível de informações que o papa demonstrou ter do Brasil. “Eu fui surpreendido, porque ele está muito bem informado sobre o Brasil. Ela sabia do programa Luz para Todos, ele sabia das políticas do Brasil com a África e sobre o Bolsa-Família”, disse o presidente.
Os dois chefes de Estado trocaram presentes. Lula deu ao papa uma escultura de barro do artesanato pernambucano. A escultura representa uma família de retirantes nordestinos. O papa deu a Lula uma caneta e também presenteou as mulheres com um terço e os homens com um medalha do pontifício.