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Rescaldo das eleições


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O que os jornais nos mostraram neste final de eleições? Primeiro, o mais drástico, mulheres não votam em mulheres. A considerar que o Brasil tem mais mulheres que homens e mais eleitoras também. Porém, vimos nas urnas que apenas foram eleitas duas prefeitas em capitais e apenas 3,5% de vereadoras.

As duas eleitas para a prefeitura são Luizianne Lins (PT), reeleita em Fortaleza (CE), e Micarla de Souza (PV), em Natal (RN), e já no primeiro turno. Nas eleições municipais de 2004, também foram eleitas duas. No geral, o número de prefeitas eleitas em todo o País passou de 410 naquele ano para 498 em 2008.

E o número de vereadoras é ainda menor. De acordo a Justiça Eleitoral, das 2.606 mulheres que concorriam a uma cadeira para o Legislativo, somente 92 conseguiram. Entre as capitais, a que mais elegeu mulheres para a assembléia foi o Rio de Janeiro, com 13 vereadoras, seguida de Maceió, com 7, e de Manaus, Curitiba e Salvador, com 6 mulheres cada. Também coube ao Rio o posto de capital que mais apresentou candidatas a vereadora, foram 267 registros. Em segundo lugar, ficou Belo Horizonte, com 202 candidatas, enquanto Fortaleza ficou em terceiro, com a candidatura de 183 mulheres.

Outra curiosidade desta eleição foi descobrir a abstenção determinando a eleição do Rio de Janeiro. A abstenção ponderada nas áreas fortes de Gabeira, áreas litorânea e centro-norte, foi de 24,1%. A abstenção nas áreas fortes de Eduardo Paes, zona oeste, foi de 17%. Essa é a tristeza do Gabeira, um dia ensolarado levou seus eleitores para a praia e, por isso, resolveram não votar.

E, mais incrível, foi a transformação do insosso Gilberto Kassab em alguém simpático e bom menino. Isso aconteceu porque Kassab seguiu à risca o manual do marqueteiro. Kassab, o prefeito reeleito de São Paulo, acatou a maior parte das orientações de sua equipe de comunicação. Foi aplicado nas técnicas para melhorar sua imagem, ensaiando gestos, entonação de voz e até movimento das sobrancelhas. Nas ruas, no horário eleitoral e nos debates, colocou as técnicas em prática, a cada dia mais confortável com a performance.

Kassab, por exemplo, passou a se debruçar nas tribunas dos debates do segundo turno e a olhar fixamente para a câmera, para estabelecer intimidade com o espectador. Evitava olhar para adversária. Gesticulava mais e usava as sobrancelhas ao falar, isso para evitar transmitir insegurança. E, ainda, reproduziu em público expressões como “Marta está “estressadinha’”.

Finalmente, observamos que derrota na cara da Marta Suplicy, quando ela votou com um modesto e forçado sorriso amarelo. E há quem não acredite em pesquisas. Em Catanduva, eu tive certeza que o candidato a prefeito e vice que chegaram em segundo lugar tinham pesquisas internas confiáveis, estava na cara deles a certeza a derrota, vi às 13h quando encontrei os dois na faculdade em que sou professor e onde minha esposa vota.

E o que fica? Essas lições serão assimiladas e nas próximas eleições teremos candidatos mais atentos.

O autor, Mário Eugênio Saturno, é tecnologista sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - Inpe

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