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Paralisação de circulares prejudica 9 mil

Por Gabriel Ottoboni | Colaborou Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

Os usuários do sistema de transporte coletivo de Bauru que precisaram utilizar ônibus ontem pela manhã tiveram uma ingrata surpresa. Trabalhadores da categoria paralisaram as atividades por duas horas, entre 5h e 7h. Segundo estimativa feita pela Associação das Empresas do Transporte Coletivo Urbano de Bauru (Transurb) com base na quantidade de usuários do serviço nesse horário, cerca de 9 mil pessoas foram prejudicadas pela paralisação.

Segundo José Rodrigues, presidente do Sindicato dos Motoristas de Bauru, a categoria decidiu pela interrupção momentânea dos serviços como forma de protesto ao não-cumprimento de acordo no dissídio coletivo e a instalação de câmeras nos ônibus. Durante o período, cerca de 200 ônibus da frota deixaram de circular na cidade.

Rodrigues afirma, ainda, que cobradores estão sendo despedidos e que não há reposição de pessoal. Com isso, o serviço de cobrança ficaria a cargo dos próprios motoristas. Outra reivindicação da categoria diz respeito ao acesso a água e banheiro. A adesão ao protesto contou com a participação de aproximadamente 450 funcionários. “Foi uma paralisação para mostrarmos a nossa força”, afirma.

A possibilidade de nova paralisação não está descartada. “Vamos aguardar até a semana que vem para ver se conseguimos algo. Podemos parar novamente”, adianta.

Segundo Rodrigues, a população não foi avisada porque “a divulgação seria algo como ‘furar’ a própria paralisação”, que contou com o apoio da Federação Nacional dos Motoristas e da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Sem aviso

A Transurb criticou de forma severa a ação da categoria. Em nota enviada à imprensa ontem pela manhã, o órgão afirma que “as empresas do transporte coletivo de Bauru foram surpreendidas por ação injustificada e irresponsável do sindicato dos condutores, que atrasou hoje (ontem) em duas horas a saída dos ônibus das empresas Grande Bauru e Baurutrans”.

Ainda segundo a empresa, a ação do sindicato não foi precedida de qualquer aviso ou comunicação e que, portanto, os motivos da paralisação eram desconhecidos. “A atitude unilateral do sindicato foi totalmente inesperada, uma vez que a postura das empresas sempre foi de abertura e disposição para negociação em relação a reivindicação dos funcionários”, diz outro trecho da nota.

Ainda segundo a Transurb, os fatos ocorridos no início da manhã de ontem foram agravados pela ocorrência de agressão a funcionário, esvaziamento de pneus, quebra de pára-brisas e de espelho retrovisor. “As empresas lamentam profundamente que a população tenha sido prejudicada por uma ação inconseqüente e tomarão todas as medidas judiciais cabíveis”.

A Transurb também informou que todas as cláusulas do acordo coletivo estão sendo cumpridas e que, “entendendo que os prejuízos decorrentes da atitude unilateral do sindicato atingem não apenas a si próprias, como principalmente aos usuários do serviço, as concessionárias protocolaram pedido junto ao Ministério Público do Trabalho, requerendo a realização de mesa-redonda para obtenção dos esclarecimentos necessários”.

Quem precisou do transporte e ficou esperando nos diversos pontos espalhados pela cidade, também criticou o movimento. Todos os dias, a comerciante Isabel Veríssimo precisa do ônibus para chegar ao trabalho. Ela, que mora no Jardim Vista Alegre e vai até o Jardim Chapadão, pega um circular sempre às 6h50. Mas não foi o que aconteceu ontem.

Cansada de esperar, teve de pagar por um transporte alternativo: o mototáxi. “Quando foi 7h30 o ônibus começou a passar. Ainda bem que tenho o próprio negócio, mas e quem trabalha?”, indagou.

De acordo com o procurador do Ministério Público do Trabalho (MPT) em Bauru José Fernando Ruiz Maturana, por não se tratar de greve, o sindicato não tinha a obrigação de avisar sobre o protesto com antecedência. “A lei dispõe que a greve em serviços públicos deve ser divulgada com 72 horas de antecedência. Mas nesse caso não houve interrupção continuada do serviço, portanto, não se caracteriza como greve. Entretanto, os usuários que se sentiram prejudicados podem questionar as empresas (do sistema de transporte coletivo).”

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