Rio - Uma quadrilha de traficantes com base na zona oeste do Rio montou um esquema de vigilância da polícia que incluía o monitoramento por radiotransmissores de helicópteros a partir do heliporto da lagoa Rodrigo de Freitas (zona sul).
As investigações da Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (Drae) resultaram, anteontem à noite, na prisão de quatro supostos envolvidos com a quadrilha. Também foram apreendidos 12 radiotransmissores, três celulares e dois computadores portáteis.
Segundo o delegado Carlos Oliveira, da Drae, Marcelo Tanure Barreto Pinto, 25 anos, o Bob, tinha a tarefa de permanecer durante todo o dia próximo à sede da Coordenadoria Geral de Operações Aéreas, de onde partem os helicópteros da Polícia Civil e da Polícia Militar.
Com um radiotransmissor, ele avisava sobre a partida dos aparelhos e indicava o possível destino. Na avenida Brasil, de onde os helicópteros seriam avistados caso tomassem o rumo da zona oeste, outros dois “arapongas”, que circulavam em carros, mantinham o restante da quadrilha alertado. Ainda havia na av. Brasil, a pé, um quarto “espião”, escalado para acompanhar a passagem de carros da polícia pelas imediações do conjunto habitacional do Amarelinho, nos bairros de Irajá e Acari (zona norte).
As informações dos “arapongas” eram recebidas, ainda segundo a Drae, pela quadrilha do tráfico de drogas estabelecida na favela da Coréia, em Senador Camará (zona oeste). Juarez Ribeiro da Silva, o Aranha, é acusado de estar à frente do esquema. Apontado como chefe dos traficantes da comunidade, ele não foi preso.
A polícia prendeu ainda Rodrigo Nunes Vicente, 25 anos, Thiago Cabrera Azevedo, 21 anos, e Fábio da Silva Nogueira, 25 anos. Vicente seria o incumbido de levar as informações até Aranha. Azevedo e Nogueira são acusados de vigiar a avenida Brasil. “Quando um radiotransmissor era apreendido pela polícia, a quadrilha recolhia todos os demais e mudava a freqüência, para que a polícia não monitorasse os contatos entre eles”, disse Oliveira.
Até o fechamento da edição, nenhum dos acusados havia prestado depoimento nem constituído advogado.