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A “onda” é outra


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Os resultados das urnas eletrônicas são eloqüentes: a “onda vermelha” - uma bobagem alimentada pelos que acreditavam que a popularidade do presidente seria capaz de eleger quaisquer “postes” da base governista – não ocorreu. O que aconteceu, isto sim, foi o reconhecimento por parte dos eleitores do trabalho desenvolvido por seus representantes à frente da chefia dos executivos municipais, independentemente dos partidos aos quais estão filiados. Uma vitória da meritocracia. Quem fez bem a “lição de casa” ganhou mais um mandato; quem esperava “passar de ano” na base da esperteza foi devolvido ao aconchego do lar. O que prova que nem tudo está perdido. Felizmente.

Dados compilados pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) revelam que, dos 3.357 prefeitos do país candidatos à reeleição, 2.245 (66,9%) obtiveram sucesso. Aqui não estão computados, evidentemente, os números que sairão das urnas dos 29 municípios onde haverá votação em segundo turno no final do mês. De acordo com levantamentos da CNM, nas eleições de 2004 e 2000, o índice de prefeitos reeleitos foi de 58%, conforme reportagem do jornal Valor Econômico.

O que isso quer dizer? Para os açodados, que o uso da máquina é fator determinante para a reeleição e que, justamente por isso, tal prática deve ser banida. Ora, para começo de conversa, não se teve conhecimento de muitas e graves denúncias sobre o uso da máquina. Ao contrário. Além disso, se estar no poder fosse sinônimo de se manter no poder, os 66,9% de reeleitos roçariam a casa dos 100%.

Estudos mostram, ainda, que após a introdução do instituto da reeleição aumentou o respeito às regras estabelecidas pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). O que, por si só, é fator determinante para sua defesa.

Os resultados das urnas também mostram a importância de se ter eleições municipais separadas das eleições gerais. Pela simples e boa razão de que, em sendo assim, é possível discutir em profundidade os problemas municipais, que variam muito de uma localidade para outra. O que mais aflige a população de uma determinada localidade nem sempre é o mesmo problema que atormenta os moradores do município vizinho. Problemas diferentes exigem soluções diferentes, como não ignoram (embora finjam) sequer os surfistas da “onda vermelha” que não houve. A onda, agora, parece ser outra: a da competência administrativa. Que assim seja.

O autor, Arnaldo Madeira, é deputado federal pelo PSDB-SP

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