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Bauru enfrenta ‘barreiras’ de asfalto

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 4 min

Nada é absoluto, tudo depende da maneira como as coisas são analisadas. As estradas de rodagem, por exemplo, que tiveram (e ainda têm) papel fundamental no desenvolvimento de Bauru, também trazem dor de cabeça para os responsáveis por planejar e administrar o Município.

Retalhada por rodovias de alto a baixo (e de lado a lado), a “Cidade Sem Limites” encontra dificuldades para interligar suas diferentes regiões. Como, atualmente, algumas poucas ruas e avenidas fazem a transposição das auto-estradas (com destaque para as avenidas Duque de Caxias e Rodrigues Alves), o trânsito dessas vias torna-se sobrecarregado.

Além disso, a proximidade das rodovias com trechos urbanos e intensamente povoados - caso, por exemplo, da região norte da cidade, cortada pela Bauru-Iacanga (SP-321) - faz com que os moradores dessas áreas fiquem expostos a riscos constantes.

Encravadas em áreas altamente urbanizadas, a Marechal Rondon (SP-300) e a Cezário José de Castilho (mais conhecida como Bauru-Iacanga) ocupam, hoje, o topo do ranking das rodovias-problema.

Na Rondon, a parte mais crítica vai do viaduto da Nações Unidas até o cruzamento com a Nuno de Assis. O trecho em questão não conta com vias marginais e os usuários locais (que, em geral, costumam trafegar em um ritmo mais lento) se vêem obrigados a dividir espaço com carros e caminhões que circulam em alta velocidade.

“A percepção do usuário local é diferente da de quem utiliza a rodovia apenas como meio de passagem. O motorista do meio urbano transita a 30 ou 40 quilômetros por hora, enquanto o da estrada vem em ritmo bem mais acelerado. Isso fatalmente cria problemas de segurança para quem circula por essas vias e para quem vive ao lado delas”, afirma o pesquisador bauruense Archimedes Raia Júnior, professor do programa de pós-graduação em engenharia urbana da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Na rodovia Bauru-Iacanga, o problema da falta de marginais se repete, com o agravante da via ser repleta de “acessos clandestinos”, principalmente na altura da Vila São Paulo e do Jardim Ivone. Mesmo os motoristas que optam pelas “rotatórias oficiais” (como a existente na altura do Lar Escola Rafael Maurício) também estão sujeitos a uma série de riscos - principalmente o de atropelar algum dos inúmeros pedestres, ciclistas e carroceiros que circulam às margens da pista.

Não há passarelas no local e o único dispositivo que os pedestres têm à disposição para transpor o asfalto é um túnel, que mais lembra uma caverna dos horrores - num cenário marcado por iluminação precária, paredes pichadas, barro por todo lado e um cheiro de excremento humano que dá náuseas.

“Você não faz idéia do quanto tivemos de batalhar para que o pessoal do DER (Departamento de Estradas de Rodagem) construísse aquele túnel”, afirma o produtor rural Vanderlei Prudêncio, 49 anos, morador do Jardim Ivone.

“Mas parece que ele está meio abandonado...”, questiona o repórter.

“Olha, meu filho, a gente nunca deve jogar a responsabilidade no colo de quem não tem. Se tem sujeira é porque as pessoas são porcas demais. O governo não tem culpa se o povo usa (o túnel) como banheiro”, retruca Prudêncio.

Minutos depois da conversa, a reportagem se depara com um homem que aproveita a solidão e a quietude da tarde nublada de quinta-feira para transformar em mictório as paredes do túnel.

Fazer a travessia também é um drama para motoristas que vivem nas redondezas da Bauru-Iacanga. São poucos os que se dispõem a utilizar os acessos oficiais; em geral, a maioria prefere “jogar” o carro no acostamento e aguardar que o tráfego intenso dê uma trégua. Tão logo surge uma brecha - quando um caminhão velho segura o trânsito, por exemplo - o condutor assume uma atitude de piloto kamikaze (“Seja o que Deus quiser!”) e se lança pista adentro.

Na última quinta-feira, Aparecido Adriano da Silva, morador do Núcleo Nova Bauru, teve de esperar quase cinco minutos para transpor a rodovia na altura da rua Luís Pereira da Silva, na Vila São Paulo. Ele ia visitar a mãe, que mora no bairro. “Seria bom se aqui existisse um trevo. Tem vezes que a gente se assusta ao atravessar a pista”, afirma.

Para sorte dele, àquela hora, o tráfego nem era tão intenso. Em geral, o movimento de veículos (inclusive os coletivos municipais) no local costuma ser grande no período da manhã, entre 6h30 e 8h, quando as pessoas estão se dirigindo para o trabalho. A situação volta a se complicar no final da tarde, entre 17h30 e 19h30.

Aliás, cenas de trânsito intenso nos horários mencionados são comuns também na Marechal Rondon, principalmente entre o viaduto da Nações Unidas e o acesso ao Santa Luzia, na Nuno de Assis; na Bauru-Marília, sobretudo próximo ao trevo que leva à avenida Elias Miguel Maluf; na Bauru-Ipaussu, entre o condomínio Lago Sul e o “trevo da Eny”; e na Bauru-Jaú, na altura do Distrito Industrial II.

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