Passados os primeiros três meses da sanção da Lei Seca, novas ações dos bares na cidade de São Paulo tentaram reduzir os prejuízos que afetaram muitos estabelecimentos. “O perfil do consumidor também foi alterado, e aos poucos os bares estão se adaptando”, afirma Celso Figueiredo, professor-doutor de marketing da Universidade Mackenzie.
Ele diz que muitas soluções viáveis para os empresários colocarem em prática podem vir dos próprios consumidores. “O brasileiro é muito criativo. Muitas pessoas seguem o esquema do ‘motorista da vez’, em que um é escolhido para dirigir e os demais consomem a bebida normalmente.” Mesmo com tantas alternativas, Figueiredo diz que será bastante difícil o faturamento voltar a ser o mesmo de antes. “A prova se os bares conseguirão mesmo recuperar o que perderam virá com a chegada do verão, que é a alta do setor.”
Tony Martim, proprietário há 11 anos do bar Papagaio Vintém, localizado em Santana, zona norte de São Paulo, viu o faturamento do seu negócio cair 20% nos últimos meses. A casa, que só abria de quarta a domingo, ganhou mais um dia de funcionamento: às terças-feiras. Atualmente, o dia é reservado para shows de stand up comedy. O tipo de espetáculo, geralmente formado por quatro ou cinco comediantes, foi escolhido por ser uma novidade na região, o que significa um grande diferencial para o negócio. “Se der certo, seremos os pioneiros.”
Segundo Martim, a decisão de abrir a casa mais um dia na semana era uma estratégia para trazer mais pessoas para o bar e, dessa forma, tentar compensar a perda dos demais dias. “Tem dado resultado. As pessoas estão comendo mais e também há mais divulgação dos pratos da casa.”
Para ele, o problema com a lei não foi a fuga da clientela, mas a redução no consumo. As pessoas continuaram a freqüentar o bar, que comporta 400 pessoas. No entanto, não consomem mais no mesmo ritmo.
O investimento para recuperar a clientela está sendo grande, mas felizmente o retorno também tem aparecido. “Acredito que até o final do ano haja um retorno de tudo que foi aplicado nas ações”, afirma Martim.