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Preconceito favorece câncer de próstata

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 5 min

Ao menos duas visões equivocadas favorecem que o homem desenvolva o câncer de próstata. Conforme o urologista Aguinaldo Nardi, a pessoa resiste ao diagnóstico preventivo porque, de maneira equivocada, tem a falsa crença de que terá sua masculinidade ferida ao fazer o exame de toque retal, procedimento que demora de 5 a 7 segundos. Obviamente, não fere a masculidade, porém o preconceito em torno do procedimento médico preventivo é uma barreira perigosa.

Nardi esclarece que a primeira reação do homem é dizer “não”. “Esse é o problema da área da sexualidade, que é um preconceito machista enraizado no povo latino e não só no Brasil”, destaca o médico urologista.

O homem europeu e o norte-americano, de modo geral, não ignoram os riscos da doença. Não por coincidência, os Estados Unidos conseguiram reduzir a mortalidade pela doença em 4% nos últimos 10 anos. “Isso é uma verdadeira revolução, porque os homens morrem menos por causa do câncer de próstata a cada ano que passa nos EUA”, constata.

No Brasil, no mesmo período, ocorreu aumento de mortes. Nardi relaciona a grande incidência de óbitos à falta do diagnóstico precoce no País. O médico lembra que o câncer, em fase inicial, não apresenta sintomas, portanto somente a prevenção é capaz de diagnosticá-lo.

Outro aliado da incidência da doença é o medo do homem de ouvir o diagnóstico positivo de câncer. “O sujeito imagina que, como não sente nada, ‘por que é que vou mexer no que está certo?’”, ressalta.

O urologista relaciona a longevidade humana à prevenção de doenças. Ele cita que, no Brasil, a expectativa de vida saltou de 70 anos para 84 anos, ou seja, ganha-se 14 anos a mais de vida. Porém, para ter qualidade de vida até os 84 anos, Nardi cita que é preciso não ter câncer de próstata e doenças cardiovasculares. Ele lembra que essa doenças podem ser evitadas e que têm cura, se descobertas precocemente.

A idade de quem desevolve câncer de próstata mudou. Nardi comenta que, há duas décadas, a doença acometia homens acima de 60 anos. Atualmente, o câncer de próstata atinge homens na faixa etária de 40 a 50 anos, de acordo com estudos nos Estados Unidos. Conforme o urologista, é provável que a incidência em homens mais jovens ocorra pela mudança dos hábitos de vida. Para Nardi, têm maior probabilidade de desenvolver a doença aqueles indivíduos que consomem gordura animal em excesso, tenham vida sedentária e estejam expostos ao estresse constante, além da predisposição genética (casos na família).

De acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), em média, há por ano cerca de 50 mil novos casos no Brasil. Nardi esclarece que esse dado é estimativo e não reflete o número de casos registrados efetivamente. “Essa estimativa pode estar subdimensionada. Pode ser muito maior do que o apresentado pelo Inca”, alerta.

Pesquisas apontam que os hábitos alimentares desregrados são uma das prováveis causas do aparecimento da doença em homens mais jovens. Nardi recomenda, por não haver contra-indicação, o consumo de soja, cereais, uva, tomate, melancia, castanha do Pára, que podem diminuir a chance de se ter câncer de próstata. Ele acrescenta que ainda não existem estudos científicos compravando os benefícios da dieta com esses alimentos. “Todos eles têm substância que talvez protejam as células da próstata”, explica. O médico também orienta as pessoas para que evitem o fumo (tabagismo) e o excesso de consumo de álcool.

Homens com casos da doença na família devem iniciar os exames preventivos a partir dos 40 anos. Quem não tem histórico familiar, pode começar aos 45 anos. “É bom alertar que apenas a dosagem do PSA não é eficaz na detecção do câncer. A cada dez casos de câncer de próstata, quatro têm o PSA normal, por isso o toque retal é imprescindível”, salienta Nardi.

95% de cura

O urologista acrescenta que mais de 95% dos casos de câncer de próstata têm cura se descoberto no início. Hoje, Dia Nacional de Combate ao Câncer de Próstata, começa uma campanha da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) para conscientizar sobre os riscos atraindo as pessoas para uma postura de prevenir a doença.

Nardi, coordenador de campanhas públicas da SBU, explica que o corpo-a-corpo será em locais de grande circulação de homens, como estádios de futebol, com distribuição de material explicativo. Um grande número de urologistas fará palestras para conscientizar a população em hospitais públicos de todo o Brasil. A 5.ª edição da Campanha Nacional de Combate ao Câncer de Próstata tem abrangência nacional e se estende até o final deste mês.

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Próstata

O que é?

Uma pequena glândula só encontrada no homem. Com o tamanho de uma castanha, está localizada logo abaixo da bexiga, na parte inicial da uretra. Sua função principal é colaborar com a reprodução humana porque produz substâncias que sairão juntamente com o esperma e permitirão aos espermatozóides sobreviverem e atingirem o óvulo feminino.

Como ocorre o câncer de próstata?

As causas do câncer de próstata ainda são desconhecidas. Suas razões têm a ver com a idade (quanto mais velho, maior a probabilidade), hormônio (testosterona), histórico familiar, raça (maior incidência no homem negro) e alimentação (o Japão é o país de menor registro).

Quais os sintomas?

O câncer de próstata não causa qualquer sintoma em seu início, justamente na fase em que pode ser curado. Quando já está em estado avançado o câncer pode interromper o canal da uretra, quando o homem começa a sentir dores ao urinar. Por isso é necessário o exame periódico a partir de 45 anos.

Como diagnosticar?

A identificação da doença se dá principalmente pelo exame de toque retal conjugado à biópsia. A dosagem sangüínea do PSA (Antígeno Prostático Específico) também pode acusar o câncer, no entanto, em 20% dos casos o PSA não aponta a doença.

Quais os tratamentos?

Depende de vários fatores como estágio da doença, idade do paciente, concomitância com outras doenças ou condição clínica do paciente. São quatro as modalidades de tratamento que podem ser utilizadas de formas isoladas ou combinadas em diferentes estágios da doença: observação, cirurgia, radioterapia e braquiterapia.

Quais as consequências?

As doenças da próstata são freqüentes ao longo da vida do homem. Se não forem diagnosticadas a tempo, podem trazer seqüelas como infertilidade, impotência sexual, infecção generalizada, problemas urinários e até mesmo ocasionar a morte.

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