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O parque do povo


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Passado o período eleitoral e findos os mandatos do atual alcaide e dos vereadores da legislatura 2005/2008, estamos diante de um sério problema, que não pode passar sem que seja devidamente debatido pela sociedade bauruense, na qual não há lugar somente para uma oligarquia que insiste em arrastar a cidade rumo ao sol da manhã com a instalação e execução de inúmeros projetos de condomínios fomentados por especuladores imobiliários.

Nesses mandatos políticos cessantes, tivemos como marco importante a discussão política a respeito do Plano Diretor da cidade, no que se deveria buscar a melhor forma de ocupar e usar o solo urbano entre as pessoas físicas e jurídicas.

Entretanto, infelizmente, a Câmara Municipal foi tomada de um assédio insano e avarento de pessoas desinteressadas na cidade, pouco importando com o aspecto social da ocupação equânime do solo, sempre respeitando os obstáculos legais e naturais à pretensão voraz de operadores imobiliários tão próximos de vereadores e do Poder Executivo.

Contra esta postura ignóbil à política de ocupação do solo urbano, tirada “desinteressadamente” na Câmara Municipal, testemunhamos nos noticiários regionais que cidades como Araraquara procuram resolver a questão dos vazios urbanos, chegando a militar na execução de projetos, para remoção de trilhos de ferrovias aos arredores do perímetro urbano. Neste aspecto, Bauru terá muito a ganhar e esses famigerados operadores imobiliários e “outras pessoas mancomunadas” poderão da mesma forma, ainda, ganhar com a ocupação dos vazios internos.

A remoção dos trilhos de ferro, de dentro do perímetro urbano de Bauru, poderá melhorar visão arquitetônica e paisagística de nossa cidade. Pois esses trilhos vindos da Paulista e da Noroeste passam inicialmente pelo Val de Palmas e Vila Dutra até deixarem o Distrito Industrial, cortando toda a cidade sem a função social que se espera da ferrovia. Não olvidando que a malha ferroviária urbana em Bauru destaca o acesso à estrada de ferro ligando à antiga Sorocabana na cidade Botucatu.

Chama-nos a atenção quanta terra urbana poderia ser mais bem usada para finalidade imobiliária entre nas regiões sul, noroeste, leste de Bauru. Muitas delas de grande possibilidade de ganhos inestimáveis. Mas a oligarquia imobiliária de Bauru não aceita a concepção de vida numa cidade mais justa e bem dividida, criando núcleos de habitação de elevado padrão social fechados com muros elevadíssimos à margem das normas ambientais e de ocupação e uso do solo.

Até aí é uma opção deste público consumidor, nada contra o desenvolvimento de nossa cidade; mas tolerar que espalhem nossa cidade aos limites de Agudos como vem acontecendo nos últimos anos e, agora, com o “beneplácito legislativo” de políticos, que gastaram fábulas para suas frustradas reeleições e, em conluio de agentes imobiliários inescrupulosos, abram os olhos para um parque que pertence ao povo bauruense.

O Parque da Água Comprida pode e deve ser aproveitado como um grande parque de recreação de todos os bauruenses, sejam ricos ou pobres, como cito o exemplo do “Parque do Povo”, em Presidente Prudente, servido de uma moderna avenida de interligação a extremos da cidade, área de lazer e realização de eventos etc. Assim, a construção de condomínios de luxo pode ser mais bem discutida para os espaços vazios dentro da cidade quiçá até mesmo com a possível remoção dos trilhos da ferrovia que passam pela valorizada zona sul, tão cobiçada pelos agentes imobiliários. Estes insertos não são um desabafo. Mas, sim, um alerta aos eleitores bauruenses que, dentro de quatro anos, verão os novos legisladores frente ao desafio de defender os reais interesses de Bauru, sem se dobrar ao poderio econômico de imobiliárias executoras de tantos projetos de retalhamento do solo urbano na cidade. Mostrar que não aceitamos a cessão do Parque Água Comprida unicamente a uma classe socialmente privilegiada de nossa cidade, agredindo as leis da natureza e das normas gerais que regem o Meio Ambiente.

Portanto, aos novos mandatários dos Poderes Executivo e Legislativo bauruense esse recado: não se dobrem aos interesses imobiliários dessa oligarquia, que só visa o lucro sem escrúpulos, sem se importar com desenvolvimento planejado da cidade.

O autor, Sebastião Fernando Gomes, é advogado

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