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“Felicidade foi-se embora e a saudade no meu peito...”


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O ciclo dourado do Noroeste, possivelmente o mais feliz de todos os seus quase 100 anos de existência, acabou exatamente às 10h44 de 7 de novembro de 2008, quando o megaempresário Damião Garcia, com os olhos embotados em lágrimas, anunciou sua renúncia à presidência. O ciclo de felicidade do Noroeste, e de quem dele participou, durou menos de sete anos, período que tradicionalmente perdura a felicidade plena ou a desgraça extremada.

O Noroeste está vivenciando os seus últimos sete anos de “vacas gordas”. Logo começará o de “vagas magras”. Em dezembro, o novo presidente além de ter de montar o time para o Paulistão, terá de pagar férias e 13º aos atletas, funcionários... O homem que alimentava o sonho de grandeza e materializava o de referência do Noroeste, entra agora definitivamente para a História.

Daqui pra frente, muito provavelmente a frase “eu era feliz e não sabia” cansará os ouvidos. Dezenas de cidades desesperam-se em busca de um Damião Garcia, de um Caio Coube. Bauru não os valoriza em plenitude. A oligarquia não deseja Caio, que seria a nova liderança.

Meia dúzia de torcedores delinqüentes, cronistas rotos, frustrados, obnubilados, vencidos pelo anacronismo... Um ex-presidente perdedor, metido a farolagem em boteco. Essa meia dúzia de inconseqüentes, sem família, cansou o herói Damião. Nem com a ajuda espiritual de Cosme suportaria tanta ofensa, tanta heresia, tanta ingratidão.

Damião foi embora. Vai deixar o Noroeste zerado, sem dívidas, diferente de como pegou em abril de 2003, à beira da desfiliação, desacreditado, descapitalizado, endividado.

Em menos de 60 dias, à época, Damião, o ex-funcionário da Tilibra, na década de 40, pagou mais de 90 ações trabalhistas, metamorfoseou o Noroeste, dando-lhe nova roupagem, resgatando-lhe a dignidade.

A menos de dois anos de comemorar o seu centenário, o Noroeste, a partir da renúncia do presidente Damião Garcia, virou uma nau sem comando, em um mar grandioso de incertezas... Que os deuses do futebol não nos deixem também.

O autor, Erlinton Goulart, é jornalista

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