Finalmente, 19 anos após a pedra fundamental ter sido lançada, as obras do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC) da Universidade de São Paulo (USP), o Centrinho, serão retomadas no próximo dia 1 de dezembro. A previsão é de que a inauguração ocorra em novembro de 2009, e já em dezembro serão iniciados os atendimentos ambulatoriais e as internações (clínico e cirúrgicas). A obra está orçada em R$ 21 milhões.
Entre fevereiro e março de 2010, entrarão em funcionamento os centros de diagnóstico e o número de internações passará de 30% para 50% da capacidade total. Em junho do mesmo ano entrará em atividade o programa das cardiopatias congênitas infantis com atendimentos clínicos e cirúrgicos. O funcionamento pleno do HRAC está previsto para dezembro de 2010.
De acordo com o superintendente do Centrinho, José Alberto de Souza Freitas, o Tio Gastão, a ampliação do atendimento é uma resposta às necessidades da população. “Iremos dar assistência nessas áreas de uma maneira mais tranqüila, já que a demanda reprimida nesse País para cardiopatias congênitas é muito grande e o tempo leva à perda de crianças. Estamos trabalhando com vidas, e esperamos que o Centrinho seja um grande salvador de vidas”, comemora.
O anúncio da retomada das obras do hospital do Centrinho foi feito ontem, durante evento em comemoração aos 75 anos da USP. Conforme divulgado pelo Jornal da Cidade em setembro, a Construtora CEC Ltda foi a vencedora do processo de licitação que definiu a empresa responsável pela reforma e conclusão do prédio do hospital, com 11 andares.
Atendimentos
O complexo terá capacidade para 255 leitos, sendo 130 de internação, 30 unidades semi-intensivas para sindrômicos, 30 unidades semi-intensivas para cardiopatias congênitas infantis, 20 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) infantil, dez leitos de UTI para adultos, 30 unidades de pré e pós-operatório e cinco unidades de isolamento.
Contará, ainda, com oito salas cirúrgicas para alta complexidade, 62 consultórios para diagnóstico e internação, 140 consultórios para atendimento ambulatorial e dois centros de diagnóstico por imagem. Além disso, o término das obras possibilitará a realização de até 800 consultas por dia, 500 atendimentos ambulatoriais nas áreas de odontologia, audiologia, educação e profissionalização, oito mil cirurgias e 12 mil pacientes internados por ano.
Dados do HRAC apontam que dos 80 mil pacientes matriculados, cerca de 35% são portadores de síndromes congênitas acompanhadas de outras patologias associadas, bem como de anomalias congênitas graves de crânio e face. Quanto às cardiopatias congênitas infantis, a prevalência é de oito casos para cada mil nascimentos, com baixo índice de resolução nas áreas de diagnóstico preventivo e tratamentos ambulatoriais e cirúrgicos em nível nacional.
Na década de 80, o Centrinho tornou-se o primeiro hospital universitário do Estado de São Paulo a ser conveniado com o Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (Inamps) para prestar assistência integral a portadores de malformações faciais. Oito anos depois, recebeu a atual denominação e, atualmente, conta com 760 pacientes e mais de 70 mil matriculados. Desse total, a maioria (63,3%) é oriunda da região sudeste do País, embora a entidade também atenda pacientes do Exterior.
“Atendemos ainda pacientes da Bolívia, Chile, Portugal e Japão. Isso mostra a confiabilidade e a filosofia da missão do hospital”, ressalta Tio Gastão. O Centrinho abriga cerca de 30% de todos os casos de fissuras labiopalatinais do Brasil e oferece cursos de pós-graduação strictu e lato sensu.
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Obras
Após oito anos paralisadas, as obras do hospital do Centrinho seriam retomadas em agosto deste ano, depois que a Uni Engenharia chegou a ser anunciada como a vencedora da licitação entre as empresas que disputaram os trabalhos de reforma e conclusão do prédio.
Mas naquele mesmo mês, foi publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo que a empresa foi inabilitada para o serviço após recurso interposto pela Construtora CEC Ltda. A Uni tentou recorrer da decisão, mas o recurso foi impugnado. Na ocasião, não foram divulgados os motivos da impugnação da empresa. Em setembro deste ano a CEC foi homologada como a vencedora da licitação pela Coordenadoria do Espaço Físico da Universidade de São Paulo (USP). O projeto do hospital é de 1985, assinado pelo arquiteto Jurandyr Bueno Filho. A pedra fundamental foi lançada em 1989, mas a obra foi paralisada duas vezes (em 1992 e em 2000) por falta de verbas.