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Empresária procura motorista infrator

Juliana Franco
| Tempo de leitura: 4 min

Indignada com a omissão de socorro por parte de um motorista de Bauru e com a atitude indiferente da Polícia Civil diante do caso, a empresária bauruense Rosana Santos de Jesus resolveu agir de forma diferente. Na edição do JC de ontem, ela publicou um anúncio pedindo a colaboração da população bauruensse na tentativa de encontrar o infrator.

Na noite do último domingo, o motorista de um Gol prata não respeitou a sinalização de “pare” no cruzamento das ruas Nelson Bonachela Gimenes e Marçal de Arruda Campos, colidiu com uma moto Biz vermelha e deixou o local sem prestar socorro à motociclista Vanessa de Loudes Cosin, 22 anos. A vítima teve ferimentos nos braços, mãos, pernas, costas e quadril. Sua moto ficou totalmente destruída e ela está afastada do trabalho.

Segundo Vanessa, que trabalha para Rosana, por volta das 22h20 do domingo voltava da igreja quando foi atingida pelo carro. “Eu vi que ele não ia parar, então acelerei na tentativa de evitar a batida, mas ele pegou na minha traseira”, conta.

A jovem foi socorrida pelo namorado e pelo cunhado que estavam em uma moto que vinha logo atrás. As pessoas que passavam pelo local e moradores ligaram para a polícia e para a emergência.

Mesmo após ser acionada e informada do acidente, a polícia não compareceu ao local. Vanessa foi encaminhada ao pronto-socorro pelo serviço de emergência. “Eu estava com muita dor e medo. Quando a emergência chegou, fui muito bem atendida, por outro lado fui maltratada no pronto-socorro. Cheguei por volta das 11 horas da noite precisando de cuidados e saí de lá quatro horas da manhã”, revela a babá. “A enfermeira não queria fazer o curativo e na hora que resolveu fazer, esfregava com força as gases nas feridas para limpar”, acrescenta.

Como a polícia não compareceu ao local do acidente, o boletim de ocorrência (BO) foi feito por policiais que estavam em uma viatura localizada na frente do pronto-socorro. “Meu padrasto foi até eles e contou o ocorrido. Eles acabaram fazendo o BO ali mesmo, mas não houve perícia e nenhum questionamento”, afirma Vanessa.

De acordo com o artigo 135 do Código Penal Brasileiro, a omissão de socorro e a falta de pronto atendimento eficiente às vítimas de acidentes de trânsito é crime. A pena é detenção de 1 a 6 meses ou multa, podendo ser aumentada em 50% se a omissão resultar em lesão corporal grave a até triplicar se resultar em morte.

Ciente dos direitos de Vanessa e revoltada com a situação, na tarde de segunda-feira Rosana foi até o 1º DP de Bauru, com parte do pára-choque que caiu do veículo após o acidente com o objetivo de entregá-lo à polícia e colaborar com a investigação. “No meu ponto de vista, a peça do carro é importantíssima nas investigações, mas a polícia errou mais uma vez, pois a delegada de plantão não quis me atender. Além disso, mandou dizer que não sabia do que se tratava”, conta a empresária. “Acredito que a polícia errou no domingo quando não compareceu ao local do acidente, mesmo sabendo da vítima. Agora, está errando por não investigar o caso. E ainda me devolveu a parte do carro e disse que não era um momento oportuno”, acrescenta.

Atitude

Diante da situação, Rosana não cruzou os braços e não esperou as coisas acontecerem. Em uma atitude diferente, pede a colaboração dos moradores de Bauru. “A Vanessa é como se fosse minha filha, trabalha comigo há cinco anos, cuida das minhas três filhas sozinha, é uma pessoa boníssima e não vou deixar barato”, afirma.

“Duas coisas me deixaram indignada. Primeiro, a perícia não comparecer ao local e não requisitar o exame de corpo de delito, além de colocar no BO que a vítima teve escoriações leves, quando ela está totalmente machucada. Segundo, fiquei revoltada ao ouvir que as providências estão sendo tomadas. Que providências se eles nem sabem do que se trata?”, questiona Rosana.

Segundo a empresária, a única pessoa que mostrou interesse pelo assunto e ofereceu ajuda foi o capitão da Polícia Militar (PM), Valter Luís Sales Gonçalves. Ele pediu para sua equipe percorrer algumas oficinas em busca de suspeitos. “Fico revoltada. O que a gente quer é que se alguém tiver alguma informação, entre em contato. Ninguém quer fazer justiça com as próprias mãos, eu só quero que ele se responsabilize pelo ato que cometeu”, pede Rosana. “Cuidar dela eu cuido, a moto que ainda não foi quitada, será consertada, o problema financeiro não significa nada. O que significa é a atitude de um cara covarde que poderia ter socorrido, conversado conosco, mas se mostrou mau caráter”, finaliza.

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Outro caso

Essa não é a primeira vez que o JC publica história de pessoas que procuram motoristas infratores. No dia 22 de agosto deste ano, dois ciclistas procuraram o jornal após serem atropelados na avenida José Sandrin, no acesso ao Instituto de Pesquisa Meteorológica da Universidade Estadual Paulista (Unesp), também na tentativa de encontrar o culpado que omitiu socorro. Por conta do acidente, uma das vítimas, o professor Marcelo Bochega, foi operado três vezes.

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