Bairros

Apenas 0,23% consegue chegar até a universidade

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Para quem vive em uma das 22 favelas de Bauru, estigmatizadas como redutos de carências e criminalidade, ter acesso à universidade ainda é um sonho distante. Somente em 0,23% dos casos, a “loucura” vira realidade, segundo a pesquisa da Sebes divulgada ontem. O estudo aponta que mais da metade dos moradores de favelas, ou 53,53%, não conseguem concluir ao menos o ensino fundamental. Outros 4,7% são analfabetos ou semi-analfabetos.

Das 4.195 pessoas consultadas, apenas dez disseram freqüentar ou ter concluído o ensino superior. No entanto, embora o número seja extremamente baixo, o simples fato de haver pessoas com curso universitário vivendo nas favelas de Bauru pode ser atribuído, em parte, ao aumento da qualidade de vida nesses locais.

De acordo com Egli Muniz, titular da Sebes, apesar de a deficiência de infra-estrutura nas comunidades ainda ser enorme, houve muitos avanços ao longo dos últimos anos que precisam ser comemorados. “Houve uma sensível melhora na qualidade dos materiais utilizados para a construção das moradias, no acesso à iluminação pública, esgoto e água encanada. Houve também uma redução no número de filhos e maior acesso a bens de consumo. É claro que os números estão bem aquém da média da população.”

De acordo com o estudo, mais de 95% da população residente em terrenos irregulares possui água encanada e 67,5% das casas têm esgoto tratado. Outro dado revelador é que pelo menos 40% da população está freqüentando a escola, em um dos três níveis de ensino.

Para Egli, entre os motivos para o salto em qualidade de vida dessas famílias estão o crescimento da economia brasileira, o investimento do município em serviços sócio-assistenciais e acesso aos programas de transferência de renda do governo federal.

No entanto, dois dos principais entraves para que os moradores dos bairros periféricos cheguem às universidades é a renda, que continua baixa em função da dificuldade de acesso ao mercado de trabalho. Segundo o levantamento, 91,3% das famílias possuem renda per capita inferior a um salário mínimo.

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