Internacional

Latinos estão satisfeitos com trabalho

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Washington - Pesquisa Gallup realizada em 24 países aponta que a maioria dos latino-americanos (82%) está feliz com seu trabalho, mesmo diante do aumento na informalidade na última década.

O número é maior do que em países com alta renda per capita, como o Japão e a Coréia do Sul, onde 78% dos entrevistados disseram estar satisfeitos com seu trabalho. A sondagem, realizada a pedido do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), surpreendeu a organização, que esperava números muito menores, já que um quarto da população da região recebe menos do que o mínimo necessário para escapar da pobreza e do aumento da proporção de pessoas que trabalham informalmente.

Na lista, a Guatemala aparece no topo com cerca de 95% dos entrevistados indicando estar satisfeitos com seus trabalhos e uma taxa de informalidade de cerca de 65%. Em segundo lugar aparece a Costa Rica, que tem o segundo menor índice de informalidade da região (perde em informalidade apenas para o Chile, que, em compensação, é o terceiro país com menor índice de satisfação com o trabalho).

O Brasil aparece em quarto lugar, com um índice de satisfação de cerca de 90%. Nas últimos posições estão o Peru e a República Dominicana, com cerca de 75% e 70% de taxa de satisfação entre os entrevistados, respectivamente.

Para o BID, a aparente contradição entre a satisfação com emprego e as condições de trabalho reflete o “maior valor que a maioria dos latino-americanos dão à flexibilidade e desenvolvimento de habilidades pessoais”.

Na América Latina, a pesquisa aponta também que há um maior número de empregados que preferiam ser autônomos do que autônomos que preferiam ser funcionários de uma empresa. Este cenário pode explicar o motivo do descontentamento maior entre os empregados de pequenas firmas do que entre os autônomos.

O estudo apontou ainda que apenas empregados com altos níveis de escolaridade valorizam previdência social e outros benefícios trabalhistas, indicando, segundo o relatório do BID, a necessidade de se repensar a política trabalhista da maioria dos países da região que focam mais na previdência que nas condições e oportunidades de trabalho.

O resultado disso é que 80% dos entrevistados se disseram satisfeitos com suas casas e cidades, embora a maioria aponte problemas a serem resolvidos. E o maior destes problemas é a criminalidade. O tema é uma das maiores preocupações dos latino-americanos e caribenhos que afirmaram em sua maioria (60%) que não se sentem seguros ao andar sozinhos à noite - a maior porcentagem entre todas as regiões do mundo.

Alimentos

Relatório do BID aponta ainda que, para os povos latino-americanos, poder comprar comida é o fator que mais influencia sua satisfação. A qualidade de vida está associada ainda com ter amigos, boa saúde, crenças religiosas, condições de manter sua moradia e emprego.

O valor implícito destas condições, na sua maioria influenciáveis por políticas públicas, indica as prioridades para a população local e pode indicar, segundo o BID, caminhos para os governos da região.

Segundo o relatório, os latino-americanos teriam que ganhar uma renda dez vezes maior para “compensar” a satisfação de poder comprar comida, 7,5 vezes mais para compensar a falta de amigos com os quais possam contar e quase quatro vezes mais para superar problemas de saúde.

O relatório apontou ainda que, entre latino-americanos e caribenhos, a Costa Rica é o país onde as pessoas estão mais satisfeitas com sua vida, com 7,4 pontos em uma escala de zero a dez. Em segundo está o Panamá (6,8), seguido pelo México (6,6). O Brasil aparece apenas em nono lugar com 6,2.

Estes resultados confirmam o critério subjetivo da qualidade de vida para os latino-americanos e que não há, necessariamente, uma relação entre uma maior renda per capita e a maior satisfação. Assim, a Venezuela, que teve um crescimento médio do PIB per capita de 2% está em quarto lugar na lista de satisfação, com 6,5. Já Trinidad e Tobago, que teve um crescimento de 8,8, o maior da região, aparece apenas em 12º lugar, com escala de satisfação de 5,8.

Comentários

Comentários