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Dr. Automóvel: Reforma de carro antigo

Consultoria: Marcos Serra Negra Camerini*
| Tempo de leitura: 4 min

Reformar um carro não é tão simples quanto parece, nem tão barato quanto se pensa. A primeira coisa que se deve ter em mente é o motivo para a reforma. Existe aquela casta de picaretas que nunca conserta nada, e quando o carro está caindo aos pedaços ele lava, dá uma encerada e passa pra frente, achando que levou vantagem em cima de alguém. E, apesar de alertarmos sempre, ainda tem gente que compra uma lataria limpa e encerada achando que comprou um carro bom, sem avaliar a mecânica como um todo. Isso faz parte do mundo, apesar de eu não gostar.

Mas tem aqueles que gostam de manter seus carros em ordem e por isso os consertam regularmente ou os reformam de tempos em tempos. Neste último caso, a reforma deve ser bem planejada para atingir o objetivo, que pode ser um simples conserto para melhorar o valor de venda, uma reforma para aumentar a vida útil ou uma restauração completa para a máquina voltar aos tempos de glória. Não é qualquer carro que se presta para isso, precisa ter um mínimo de condições para que se atinja o resultado esperado.

Meu amigo Luiz Antonio decidiu reformar um carro antigo de sua propriedade, um Corcel 76, e me perguntou se valia a pena. A princípio, analisamos o que ele queria, se era para manter o carro em uso na família, restaurar para coleção ou apenas dar um tapa no visual para vender mais tarde. Para uma restauração de coleção, o investimento seria muito grande e não valeria a pena. Como ele queria usar o carro com a família por mais tempo, optamos primeiro em restaurar a parte mecânica, como freios completos, suspensão, elétrica, motor e câmbio. Feito isso, foi dada uma revisão geral de lataria, consertados assoalho e paralamas e depois uma pintura geral. Em seguida, partiu-se para o acabamento com vidros, canaletas, emblemas e frisos. O valor da reforma geral ficou pouco menos que o valor venal do carro, mas agora ele tem um carro confiável por mais uns bons anos.

A restauração de um carro antigo envolve itens de segurança que muitas vezes não podem ser substituídos por peças novas, dado à própria inexistência dessas peças no mercado. Portanto, precisam ser refeitas ou restauradas com critérios técnicos. Embuchamentos, encamisamentos, soldas, usinagens, tudo precisa ser calculado e estudado antes com cuidado. Uma folga excessiva em uma articulação de suspensão pode ocasionar um sério acidente, assim como a troca de um componente por outro “parecido” só que não o ideal para aquela função, como uma mola de características diferentes por exemplo.

Motores foram projetados para serem retificados, portanto podem ser trocados pistões e anéis por outros com sobre medida, ou seja, medidas ligeiramente maiores do que as originais para serem montados em cilindros retificados. Desta forma, a vida dos motores pode ser estendida muito mais. Outros componentes, como as bandejas de suspensão, por exemplo, permitem que peças possam ser substituídas ou embuchadas para que voltem a ter a folga especificada original. Quando não for mais possível, devem ser trocadas. Na impossibilidade de se conseguir uma peça antiga nova, deve-se recorrer aos serviços especializados de um bom ferramenteiro. Corpos de carburador que requeiram um serviço de torno para retomar suas características originais não podem ser usinados por qualquer um, sob o risco de nunca mais funcionarem direito. O Manoel Guimarães é um destes ferramenteiros especializados em que confio para estes serviços de carburador. Ele me conta dos pedidos que recebe, muitos deles de carros de coleção, pois não se acha mais carburadores completos com facilidade no mercado.

Chicotes elétricos devem ser totalmente refeitos, pois os cabos podem se ressecar com o tempo e entrar em curto circuito. Basta seguir o roteiro original e refazer o chicote. Motores elétricos e alternadores geralmente dão uma boa restauração, mas o que não dá precisa mesmo ser substituído, assim como peças que se desgastam com o tempo, como as borrachas. Estas se ressecam e trincam, portanto só trocando mesmo. O importante sempre é ter em mente o que quer fazer e quanto pode gastar. Peças e mão de obra qualificada existem, é só se informar que se acha. Nada mais gratificante do que trazer uma antiga jóia de volta à vida e ao glamour.

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* Marcos Serra Negra Camerini é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da USP, pós-graduado em administração industrial e marketing e engenharia aeronáutica, com passagens como executivo na General Motors (GM) e Opel. Também é consultor de empresas e é diretor geral da Tryor Veículos Especiais Ltda.

Seu site é www.marcoscamerini.com.br.

Sugestões para a coluna e perguntas à seção Correio Técnico devem ser enviadas ao e-mail automerc@jcnet.com.br ou à redação do Jornal da Cidade, na rua Xingu, 4-44, Higienópolis. É obrigatório informar nome completo, RG, endereço e contato (telefone ou e-mail).

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