O prefeito eleito de Bauru, Rodrigo Agostinho (PMDB), pretende realizar estudos para desapropriar a área onde se localiza a floresta urbana do Parque Água Comprida, próxima do câmpus da Unesp, e transformá-la num futuro parque municipal. O primeiro passo, segundo ele, é apurar o custo da gleba. Levantamento feito pelo JC com imobiliárias da cidade aponta que o valor pode variar desde R$ 7 milhões a perto de R$ 18 milhões, considerada desde a gleba total a variáveis como a proibição de desmatar a metade.
Rodrigo vem demonstrando interesse na preservação da área que mede 600 mil m² no total. Segunda-feira, durante a sessão da Câmara Municipal de Bauru, ele defendeu a possibilidade de a administração municipal vincular a aprovação de empreendimentos em outras regiões da cidade por áreas verdes exatamente na mata próxima da universidade, garantindo assim sua sobrevivência para futura instalação de parque urbano.
Ontem, ao JC, comentou a hipótese de desapropriar a gleba, mas alegou que não há como avançar na discussão sem que seja feito levantamento real do custo da área. “Dependendo do preço da área é possível desapropriá-la”, disse o peemedebista. “Sem termos o valor não há como avançar na discussão”.
A polêmica está no fato de um grupo de empresários ter interesse em construir no local 30 torres de apartamentos, de 12 andares cada uma, e dois conjuntos comerciais. O projeto foi apresentado em reunião pública no Legislativo semana passada. Muitos leitores do JC têm encaminhado cartas para criticar a proposta de desmatar uma das poucas reservas de mata urbana em Bauru.
Estimativa de custo
Para obter uma estimativa do custo do m² da gleba, o jornal consultou quatro imobiliárias da cidade. Duas delas, cujos donos preferiram não se identificar, informaram o valor de aproximadamente R$ 30,00 o m² do jeito que a área se encontra. Por essa estimativa, a floresta custaria R$ 18 milhões, mas sem levar em conta a incidência para menos neste valor pela necessidade de utilização apenas de parte da gleba, mantendo metade da mata.
Aquiles dos Reis Jr., da Rei Jr Imobiliária, forneceu o montante de R$ 25,00 o metro quadrado. Daniel Moraes, da Moraes Consultoria Imobiliária, disse que o valor varia de R$ 80,00 no ponto mais nobre da região (paralelo à avenida Edmundo Coube) a R$ 50,00 para dentro da mata.
Apesar das diferenças, todos concordam que a avaliação é comercial e que a possibilidade de usar apenas parte da área inviabiliza o projeto e, conseqüentemente, reduz bastante o potencial do valor de venda. “É difícil falar em preço porque não se sabe se é possível ou não desmatar a área para empreendimento imobiliário”, ressaltou o proprietário de uma das imobiliárias consultadas.
No contexto de que a gleba está inserida em Área de Relevante Interesse Ecológico (Arie), com restrições de uso, dois dos entrevistados apresentaram montante bem menor. Moraes apontou que para desapropriação pela administração municipal, por exemplo, o custo cairia para algo em torno de R$ 20,00 a R$ 30,00 o m2. Tomando-se o valor menor, a área total poderia custar perto de R$ 12 milhões.
Já Reis apresentou redução ainda menor na cotação: entre R$ 10,00 e R$ 12,00 o m2, pelo fato do possível comprador saber que metade da gleba será destinada à preservação da mata. Por essa estimativa, a área custaria entre R$ 6 milhões e R$ 7,2 milhões.
Em relação a esses valores, Rodrigo contou que levantamento semelhante já foi apresentado a ele, mas que é preciso saber o custo real da área.
Perguntado se considera o montante alto, disse que sim, pelo fato de a prefeitura estar com boa parte do orçamento comprometido com dívidas, mas adiantou que vai realizar estudos. “Precisamos discutir todas as hipóteses e se for possível podemos fazer a desapropriação do local”, apontou.