No ano em que o Brasil comemora o centenário da imigração japonesa, a Escola Estadual Padre Antônio Jorge Lima, de Bauru, apresentou aos seus alunos um pouco da cultura e da história do país asiático. Durante os três primeiros bimestres do ano letivo de 2008, cerca de 900 estudantes dos ensinos médio, fundamental e da tele-aula estudaram e pesquisaram o Japão. O resultado pode ser conferido na 7ª edição da Feira de Trabalhos Escolares, que termina hoje.
Comidas típicas, exposição de fotos, esculturas, dobraduras, apresentação de teatro, de música e exibição de filmes são algumas das atrações da feira. De acordo com Elida Farias, diretora da escola, a iniciativa é uma forma de mostrar a toda comunidade o que está sendo produzido dentro da instituição, além de aproximar os pais do ambiente escolar. “A feira reúne alunos, pais, professores, direção e também ex-alunos. É uma forma de fazer com que a comunidade se interesse pela escola e conheça todo o trabalho desenvolvido pelos alunos”, explica.
A temática Japão foi desenvolvida por todas as disciplinas escolares. No final, cada uma ganhou uma sala de exposição. “Assim, todos os professores se envolvem e conseguimos despertar o interesse de todos os alunos, pois muitos gostam de exatas, outros preferem humanas. Com essa diversidade, atendemos todos os gostos”, afirma a diretora.
Além dos trabalhos produzidos pelos estudantes, a escola organizou uma exposição de mandalas Feng Shui produzidas pelo artista plástico de Marília Dagoberto Correa. Certamente uma das salas de exposição que deram mais trabalho foi a das disciplinas de história e geografia. Segundo Rosimeire Da’Villa, professora de história, o tema escolhido pelos alunos foi a bomba atômica. “Com isso, mostramos uma lenda que fala da menina Sadako que foi vítima de leucemia dez anos após o bombardeio de Hiroshima”, explica Rosimeire.
De acordo com a lenda, Sadako fez uma promessa para ficar curada e inspirou a lenda das garças douradas, que vivem até completar mil anos de idade. Por isso, se dobrar mil garças de papel, elas te trarão sorte. Sadako começou o trabalho, mas morreu antes de terminar as garças. “Depois de sua morte, seus colegas de classe começaram a trabalhar seriamente pela paz mundial e terminaram de dobrar as garças”, revela a professora de história.
Na sala, foi montada uma bomba atômica e os alunos produziram mil garças douradas. Já na disciplina de artes, os alunos fizeram releituras de obras japonesas e dobraduras. Além disso, um grupo de alunos fotografou espaços de Bauru que remetem à arquitetura e cultura japonesa. Outra curiosidade é que uma aluna ministra oficina de origamis diariamente. A disciplina de matemática, por exemplo, trouxe jogo de probabilidade.
____________________
Alunos aprovam a iniciativa
Para os alunos da Escola Estadual Padre Antônio Jorge Lima, aprender ficou mais divertido. Segundo Daniele Rodrigues, 17 anos, aluna do 1º ano do ensino médio, o resultado foi positivo. “Vim de outra escola e esta é a primeira vez que participo da feira. Foi muito bom, pois aprendi muito sobre o Japão, foi gratificante. Fiquei sabendo de coisas que nunca imaginei”, conta. “Além disso, conheci a comida japonesa. Foi uma oportunidade e tanto”, acrescenta a estudante.
O cinema foi um dos temas que mais agradaram Yuri Simões da Silva, 13 anos, aluno da 7ª série. “Estudava em outra escola e nunca participei de uma atividade como essa. Acho que foi muito legal, prazeroso e me estimulou”, afirma. “Foi um jeito mais divertido de aprender. O cinema japonês foi uma das áreas que mais chamaram minha atenção”, complementa.
Para Daniela Persa, 13 anos, aluna da 6ª série, com a Feira de Trabalhos Escolares foi mais fácil aprender. “Adorei saber sobre a imigração japonesa. Foi muito interessante e divertido”, finaliza a estudante.