Geral

Infestação de Aedes é baixa em Bauru

Juliana Franco
| Tempo de leitura: 3 min

Após viver uma epidemia de dengue em 2007, quando foram registrados 2.081 casos da doença, Bauru está entre as 12 cidades do Estado de São Paulo que apresentaram índice satisfatório, abaixo de 1%, de infestação por Aedes aegypti (mosquito transmissor). As informações foram divulgadas ontem, pelo Ministério da Saúde.

Segundo Flávio Tadeu Salvador, diretor da Vigilância Sanitária Municipal, o Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa) é uma atividade prevista no Plano Nacional de Combate a Dengue e avalia a densidade larvária de diversas cidades do Brasil.

Os dados demostram a importância da continuidade das ações de prevenção e combate para evitar que o cenário evolua para a situação de risco de surto. “Cada cidade precisa selecionar mais de 4 mil imóveis geograficamente espalhados para identificar criadouros e possíveis focos do mosquito transmissor da dengue. Este ano, visitamos 5.170 imóveis na segunda quinzena de outubro”, revela.

Bauru registrou Índice de Infestação Predial (IIP) de 0,6% e Índice de Infestação Breteau (IIB) de 0,64% – o IIB mostra a infestação de uma determinada região e o IIP identifica se os focos estão localizados por toda a região ou se há algum imóvel com alto número de focos. No caso de Bauru, como os dois índices estão próximos, significa que os criadouros estão espalhados.

Os agentes avaliam recipientes sem água que podem se transformar em criadouro, recipientes com água mas que ainda não têm a larva e os recipientes com água e com larva. “Coletamos as larvas e enviamos ao laboratório que detecta o problema e registra as informações, se são ou não transmissores da doença”, explica Salvador.

Segundo os dados divulgados pelo LIRAa, 52,5% dos focos de Bauru são encontrados no lixo, 41,2% nos depósitos domiciliares e 5,9% no abastecimento de água. Apesar do índice satisfatório, Salvador explica que o resultado deve ser avaliado com cuidado, pois o levantamento realizado em um mês com baixo índice de chuva, fato que desfavorece a reprodução do inseto. “O índice de 0,6% não nos tranqüiliza, pois a época do ano não é favorável. Em janeiro, por exemplo, temos um clima mais úmido e chegamos a registrar índice de 10%. Por isso, é importante o trabalho de conscientizar e prevenção”, afirma o diretor da Vigilância Sanitária.

Das 16 cidades pesquisadas no Estado, 15 enviaram os dados para o Ministério da Saúde. Dentre elas, 12 apresentaram índice satisfatório como Araçatuba, Araraquara, Barretos, Guarulhos, Itu e Marília. Outras três cidades estão em situação de alerta, com índice de infestação entre 1% e 3,9%: Piracicaba, Ribeirão Preto e São Sebastião.

Monitoramento

Além do trabalho ligado ao Ministério da Saúde no combate a dengue, Bauru também realiza o Monitoramento Inteligente da Dengue, que são armadilhas que capturam os mosquitos Aedes aegypti adultos. “Os resultados são apresentados toda semana, e por meio desta tecnologia temos o mapa das regiões com maior e menor índice de captura das fêmeas do mosquito”, revela Salvador.

Este monitoramento é realizado durante todo o ano. Segundo o diretor da Vigilância Sanitária, as regiões com maior concentração do mosquito da dengue registrada nos últimos levantamentos são Vila Industrial, Parque Bauru, Ferradura Mirim e Higienópolis. “Mas por enquanto não é nada alarmante. A partir destes dados, conseguimos agir com as ações de controle do mosquito. As regiões com maior índice recebem atendimento prioritário e direcionam nosso trabalho”, explica.

Além do monitoramento inteligente, durante todo o ano os agentes da Vigilância Sanitária visitam as casas da cidade com o objetivo de orientar, informar e remover os criadouros. “O mosquito da dengue se reproduz rapidamente e o ciclo de transmissão da doença é muito rápido, por isso, durante as visitas quando necessário aplicamos multas e advertências”, revela Salvador.

Segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde, de janeiro até agora, a cidade registrou 146 casos de dengue, sendo 136 autóctones, oito importados e dois em trânsito.

Comentários

Comentários