Utilizar o robô como ferramenta de ensino. Aproximadamente 120 estudantes da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Núcleo de Ensino Renovado, localizada no Núcleo Geisel, tiveram uma aula diferente ontem pela manhã. Eles participaram da Oficina de Robótica.
O projeto é desenvolvido há três anos pelos professores do departamento de computação da Faculdade de Ciências (FC), vinculado à Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru. Integra projeto de extensão universitária, que desenvolve ambientes robóticos educacionais, cujo objetivo é aproximar os conteúdos a estudantes oriundos de escolas públicas. É desenvolvido pelo grupo de robótica educacional, que teve início há dez anos a partir da tese de doutorado de um professor que desenvolveu um robô para fazer inspeção em tubulações.
“Queremos construir ambientes de baixo custo de tal forma que as escolas possam implementá-los”, afirma o professor Marco Antônio Caldeira, do departamento de computação da universidade. Ele afirma que, além do fascínio proporcionado pelo tema, a robótica pode ser utilizada em qualquer área do conhecimento humano.
Na palestra de ontem, os alunos aprenderam as funcionalidades de um computador e as atividades que cada robô pode desenvolver. Os estudantes tiveram a oportunidade de jogar uma partida de futebol enfrentando robôs. Os adversários foram pré-programados com determinadas estratégias, enquanto três alunos controlavam três máquinas através de um console. As crianças também “controlaram” umas às outras.
“Os robôs não têm visão e eles tiveram que caminhar com os olhos vendados para sentir as dificuldades que um robô também tem”, explica René Pegoraro, professor do departamento de computação. “Queremos utilizar os robôs como ferramenta de ensino. Para os alunos da graduação, os robôs dão a possibilidade de conhecer partes dos sistemas e entender como funcionam. Em uma indústria, por exemplo, podem ter conhecimento de como os robôs devem interagir com os ambientes para que funcionem”.
Para a estudante Gabriela Fernandes Sales da Cunha, a novidade agradou. Não sabia o que era um robô e me interessei muito pela área”, diz. “Podemos aprender muitas coisas sobre como eles são fabricados”, completa Diego Henrique Queiróz. Ambos cursam a 6ª série.
Os robôs desenvolvidos pela Unesp custam entre R$ 500,00 e R$ 1.000,00. A universidade já colhe os frutos do experimento. Foi por diversas vezes campeã brasileira de futebol de robôs e vice-mundial ano de 1998.