O novo delegado Seccional de Bauru, José Henrique Gomes dos Santos, tomou uma atitude imediata ao tomar conhecimento, ontem, da pichação de praticamente um imóvel inteiro na região sul da cidade. Ele mandou uma equipe do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra) para o local para que fossem realizados os levantamentos preliminares e iniciada uma ação rigorosa contra esse tipo de vandalismo que vem provocando indignação e revolta na população.
Na madrugada de ontem, um prédio em obras de 12 andares localizado na quadra 1 da rua Luso Brasileira foi totalmente pichado por dentro e em sua fachada. Um cachorro da raça rotweiller que fica no prédio também foi agredido pelos vândalos com pedaços de madeira e tijolos da obra. No interior do imóvel, até mesmo as portas e paredes dos apartamentos foram pichados com restos de tinta que estavam guardados nos fundos do prédio.
E como se não bastasse fazer tudo isso, os autores da ação passaram por vários outros imóveis próximos do local utilizando a tinta para promover mais vandalismo. Prédios de instituições bancárias, comerciais e placas de sinalização de um supermercado não foram poupados.
O delegado Seccional garantiu que os policiais civis discutiram a questão ontem mesmo e vão colocar em prática um plano de ação, a partir de amanhã, a fim de identificar os autores dos rabiscos. Ele não adiantou o conteúdo da ação, que terá duas fases. “A (etapa) investigativa visa identificar os pichadores, e a preventiva é educacional e tem por objetivo conscientizar os jovens a não praticar a pichação”, afirma Santos.
O delegado promete, ainda, dar prioridade a casos como o ocorrido ontem. “É prioridade para a Polícia Civil. Vamos agir com rigor. Para isso teremos uma equipe especial designada para esse trabalho específico.”
Para o delegado, além do dano aos imóveis, há um crime ambiental e outro de maus-tratos ao cão que estava no prédio. “Caso os pichadores sejam menores, vamos aplicar as medidas previstas no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).”
O comandante da área Sul da Polícia Militar, tenente Renato Ramos, disse ontem que o efetivo da área está orientado a trabalhar no sentido de inibir os atos de vandalismo. “Nosso efetivo está posicionado com vistas às pichações.”
No início do mês, a Polícia Militar deflagrou uma operação de combate à pichação na cidade, com aumento das fiscalizações e abordagens para apreender material que possa ser empregado no crime.
Casa das leis
As manifestações de revolta da população de Bauru quanto às pichações estão surtindo efeito. No semana passada, o vereador Primo Mangialardo (PV) propôs uma campanha em parceria com o Conselho de Segurança (Conseg) Centro/Sul e Comissão de Assuntos Comunitários da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) - subseção Bauru.
Eles vão distribuir 50 mil folhetos explicativos nos pontos de maior fluxo de pedestres e veículos da cidade, incentivando a população a registrar as pichações em boletim de ocorrência e a denunciar os infratores.
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O que significa o ato de pichar?
“Pichação é sinônimo de descaso, de abandono e de falta de autoridade pública. Eu acredito que a pichação acaba trazendo para a cidade um ar de um lugar sem controle, sem cuidado, sem administração. Não transmite uma boa imagem da cidade.”
Domingos Malandrino, diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp)
“Parece que virou moda e já atinge todo o País. Infelizmente, transmite a falta de educação e cultura. Onde faltam esses dois itens é sinal de sociedade não organizada.” José Luiz Simonelli, diretor regional da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp)
“É um problema complexo que implica até mesmo na perda de investimentos na cidade. Todo investidor que pretende vir para um município presta atenção na aparência da cidade. O ato demonstra ausência de cuidados não apenas com o patrimônio público, mas com o privado também. Resolver é um trabalho a longo prazo junto as escolas públicas e privadas para demonstrar para as crianças e adolescentes o grande prejuízo que esse ato causa e a depredação do patrimônio.” Caio Augusto Silva dos Santos, presidente da 21ª subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)