Tribuna do Leitor

A Grande Muralha


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Treze de maio de 1888: a princesa Isabel assina a Lei Áurea. Muitos anos passaram-se, no entanto, os negros ainda sentem as chibatas e as torturas da época da escravidão. Hoje não é mais fisicamente que são atingidos, mais do que isso, são humilhados pelos números. Como promover a liberdade, igualdade e fraternidade em um país que não aceita as diferenças raciais?

De um lado, exaltada por sua beleza e sensualidade, está a negra que desfila em escolas de samba e o grande e poderoso “rei” do futebol brasileiro. Do outro, 2% dos negros brasileiros conseguem formar-se em um curso superior, dos 69% indigentes do País, 64% são negros e também os cargos mais importantes das empresas são ocupados por brancos.

Esquecemo-nos de que o nosso País é formado por uma grande miscigenação de raças. E que somado a isso, os negros são os responsáveis pela movimentação de US$ 50 bilhões anualmente no País.

Como cidadãos e seres humanos, eles precisam ser respeitados, não podem viver mais em suas senzalas enquanto os senhores de engenho lucram e humilham essas dignas pessoas. O homem para ser feliz necessita de duas coisas: olhos e espelhos. Os olhos para poder ver através de um espelho que diferenças existem, porém elas não podem ser entendidas como preconceito e discriminação.

Estamos fatigados de soluções cosméticas para os nossos problemas de ordem estrutural. Se o preconceito racial existe, é preciso atacá-lo com coragem e determinação.

Izabella Alves Rosso - estudante

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