Em tempos de incentivo a atitudes ecologicamente corretas, mais e mais pessoas têm recorrido à caminhada e à bicicleta para ir de um lado a outro de Bauru, mesmo com a cidade crescendo para todos os lados e as distâncias ficando mais cada vez mais longe. Mas engana-se quem cita o meio ambiente como motivador principal dessa atitude. Na verdade, muitos dos que enfrentam todos os dias quilômetros de caminhada para chegar ao trabalho o fazem por economia ou para manter a saúde em dia.
A bicicleta também é outra aliada de quem quer economizar o dinheiro do transporte urbano e procura saúde. Apesar desse tipo de transporte alternativo não estar muito presente na área central da cidade, nos bairros, elas são comuns - principalmente em locais onde as indústrias e fábricas estão instaladas.
Gilberto Firjante conta que pedala todo dia cerca de 10 quilômetros para ir e voltar do trabalho. Ele reside no Jardim Olímpico e trabalha no Distrito Industrial 1. “Já acostumei, faço esse caminho há cinco anos. Se fosse utilizar o transporte urbano, teria de pegar dois ônibus para descer pelo menos a três quarteirões da empresa”, conta.
Firjante relata que já fez as contas e, se tivesse que pagar pela locomoção até o trabalho todos os dias, teria de desembolsar no final do mês R$ 160,00. “Se fosse pegar dois ônibus para ir e dois para voltar gastaria R$ 8,00 e daí é só calcular”, completa.
Ednei Elias do Prado não vai para o trabalho nem a pé nem de bicicleta. “Quando entrei na fábrica, fiz amizade com o Glauco de Almeida, que reside a dois quarteirões de casa. Já faz três anos que a gente de vem com a motocicleta dele, mas divide os gastos com o combustível”, conta.
Dados fornecidos pelo Departamento de Trânsito (Detran) de São Paulo apontam que, até o final de outubro, Bauru estava prestes a atingir a marca de 177 mil veículos, número que certamente deve ter sido ultrapassado nos 20 primeiros dias de novembro. São veículos que queimam todo tipo de combustível: gasolina, álcool, diesel e gás natural (GNV).
A queima desses combustíveis libera na atmosfera uma grande quantidade de dióxido e monóxido de carbono resultantes da queima da gasolina, GNV e álcool, além do enxofre liberado com queima do óleo diesel. Apesar de, nos últimos anos, as montadoras terem investido em veículos com tecnologia voltada para a preservação do meio ambiente, a poluição ainda existe e é muito grande.
De acordo o Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da Universidade de São Paulo (USP), que elaborou um estudo latino-americano para quantificar o estrago financeiro causado pelos gases tóxicos emitidos na atmosfera, a má qualidade do ar custa pelo menos US$ 1 bilhão - cerca de R$ 2,3 bilhões - aos cofres públicos brasileiros a cada ano, principalmente com as mortes ou tratamento de doenças associadas direta ou indiretamente à poluição. O levantamento foi realizado apenas em seis regiões metropolitanas do País: Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo. Em Bauru, com a frota menor, os efeitos são mais reduzidos, mas não é difícil encontrar pessoas que sofrem com os efeitos da poluição do ar.
Mas nem tudo é notícia ruim. Matéria divulgada recentemente pelo jornal “O Estado de São Paulo”, a partir de dados divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Única), aponta que em cinco anos a tecnologia Flex Fuel (que permite o funcionamento do motor de um veículo com dois ou mais combustíveis) e a preferência pelo álcool farão com que o Brasil deixe de emitir 42,5 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2), o que equivale a três anos e meio de emissões de CO2 da cidade de São Paulo. De acordo com a Unica, é como se todos os veículos e fábricas da Capital Paulista deixassem de poluir por 42 meses.
Bauru acompanha a tendência, tanto que muitas revendedoras de carros da cidade apontam que os veículos Flex Fuel lideram a preferência dos consumidores bauruenses. Uma notícia a ser comemorada, se considerado que o município tem a elevada média de um carro para dois moradores.
Mesmo assim, cerca de 95 mil pessoas continuam a utilizar o transporte urbano via ônibus todos os dias para ir ao trabalho, escola ou se deslocar de um lado para o outro na cidade. São 234 veículos, responsáveis por fazer ao todo 70 linhas distribuídas pela cidade desde o início até o fim do dia. Todos os carros são movidos a diesel, o combustível mais poluente do mercado.
Por atenção à qualidade de vida, Luís Carlos Fernando, residente na Vila São Paulo, deixou o ônibus de lado e faz todo o dia o trajeto até o distrito industrial 1 de bicicleta. Ele conta que não está preocupado em economizar, sua preocupação é mesmo com a saúde. “Acordo cedo e percorro o trajeto todo em torno de 40 minutos, é o exercício físico que eu não tenho tempo para fazer diariamente”, brinca.