JC Criança

Hora de subir ao palco

Maíra Soares
| Tempo de leitura: 5 min

Sapatilha, meia-calça, saia, collant e coque. Este é o uniforme básico das pequenas bailarinas. No entanto, com o fim de ano se aproximando, tudo muda. É a hora das grandes apresentações pelos teatros da cidade.

Letícia Aroste, 6 anos, aluna do Studio Bella Vista de Danças, está ansiosa e conta os seus planos para não errar durante a apresentação. “Na hora eu fico curiosa porque não sei o que pode acontecer. Depois eu começo a dançar e a pensar nos passos que eu sei fazer, aí dá tudo certo!”, diz ela.

A tática de Letícia é uma ótima dica para suas colegas, já que a vergonha é o que mais atrapalha as bailarinas mirins. “Essa é a primeira vez que vou me apresentar e a primeira coisa que eu vou sentir é vergonha”, conta Ana Laura Vasconcelos, 5 anos.

Embora a apresentação seja o principal, ela só acontece depois de muito treino e preparação. As meninas ensaiam duas vezes por semana e têm de enfrentar vários desafios. “Foi um pouco difícil aprender todos os passos novos da coreografia. Tem um que eu aprendi faz um tempão e eu ainda erro. É o ‘pas de bourrée’ pequeno”, explica Luani Brito, 7 anos.

Outro ponto muito importante é o figurino. Cada dança tem uma roupa e uma maquiagem próprias. As meninas do balé Ruth Nham adoram suas fantasias. Rafaela Peckler, 6 anos, conta que sua roupa preferida é a da dança “Carlitinhos”. “Adoro essa fantasia porque ela tem gravatinha, bengala e uma casaca com cauda”, diz.

Já Bianca Rosa, 8 anos, se sentiu uma bailarina profissional com os preparativos. “A gente foi à costureira, tirou as medidas. Depois que ficou pronta, a gente levou a fantasia para casa. Aí teve um ensaio geral com as fantasias e um ensaio fotográfico. Foi superlegal. Eu achei maravilhoso”, conta.

A professora Dóris Nham Marino explica que o balé, além de ser divertido, traz muitos benefícios para quem pratica. “A dança melhora a postura, a lateralidade, a coordenação motora e a respiração. Além disso, ajuda a controlar o medo, a ansiedade e a perder a timidez”, explica.

“Mas é preciso procurar a escola certa”, alerta a professora Sheila do Valle. Para ela, o balé pode trazer muito problemas para a saúde se não for bem ensinado. Além disso, é importante estar na turma correta, ou seja, dançar com pessoas da mesma idade.

Com tudo pronto, agora é só esperar o dia da apresentação. “Eu convidei toda a minha família, meus amigos e meus professores. Eu vou ficar superfeliz no dia porque é um momento que a minha família fica toda junta”, conta Isabela Ranieri, 7 anos. Boa sorte, bailarinas!

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Não é só para meninas

Augusto Nham Marino, 9 anos, bailarino da Escola de Ballet Ruth Nham, faz questão de dizer que balé não é só para meninas, não! “Tem outros seis meninos que fazem aula aqui também. E eu não tenho nenhum problema em ensaiar com meninas”, explica ele.

Ele conta que essa será sua segunda apresentação, e que está tranqüilo. Mas na primeira vez... “Eu fiquei supernervoso. Deu tremedeira e dor de barriga. Fiquei até sem cor na boca”, desabafa.

Para ele, tudo dá certo no final. “A hora que eu mais gosto é quando as pessoas aplaudem a gente, porque aí eu fico achando que eu dancei bem”, conta.

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Apresentações

As meninas do Studio Bella Vista de Danças já mostraram todo o seu talento na apresentação da última sexta-feira, dia 21 de novembro, às 20h30, no Teatro Municipal de Bauru. Elas fizeram bonito no espetáculo “O reino encantado das fadas”.

Mas ainda dá tempo de conferir as bailarinas da Escola de Ballet Ruth Nham. No dia 5 de dezembro, às 20h30, elas apresentam “Tributo a Charles Chaplin”, no Teatro Universitário da USP/FOB. O teatro fica na Alameda Octávio Pinheiro Brisolla, 9-75. Informações pelo telefone (14) 3879-1655.

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Balé surgiu no século 16

O balé clássico surgiu há muitos e muitos anos, lá no século 16, na Itália. Embora não se saiba como apareceram os primeiros passos, é certo que a nobreza italiana adorava o “balletto”, ou seja, a dancinha, em italiano.

O amor pela dança era tanto que, quando a princesa da Itália Catarina de Médici se casou com o rei da França Henrique II, ela decidiu levar o balé para a nova corte. O “balletto” virou “ballet”.

Catarina contratou um grande coreógrafo italiano, Balthazar de Beaujoyeulx, para fazer os espetáculos para os franceses. As apresentações eram bem diferentes das que são feitas atualmente. Naquele período, elas reuniam dança, diálogos e canto.

No século 17, o balé atingiu seu apogeu. O rei francês Luís XIV, que também era bailarino, fundou a Accademie Royale de Musique. Ali, sob a direção do compositor italiano Jean-Baptiste Lully e de seu assistente, o professor de dança francês Pierre Beauchamps, o balé se tornaria um espetáculo mais sofisticado, conhecido como “Ópera-Balé”. Aliás, foi Pierre quem criou as cinco posições básicas que são usadas no balé até hoje.

Foi somente no século 18 que os espetáculos se concentraram mais na música e na dança. Nessa época, as bailarinas começaram a se rebelar contra as roupas utilizadas, que limitavam seus movimentos.

A corajosa bailarina belga Marie Ann Cupis de Camargo baixou os saltos de seus sapatos e encurtou suas saias para desenvolver melhor sua dança, criando assim algo bem parecido com os collants e sapatilhas da atualidade.

O último momento importante para a consolidação do balé como um estilo de dança foi realizado pela italiana Marie Taglioni. Ela foi a primeira a dançar na ponta dos pés, criando o movimento mais identificado com o balé clássico.

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