O benzimento é uma das formas mais antigas de procurar a cura de doenças. No Brasil, foi introduzido pelos escravos, embora tenha surgido no Egito e se perpetuado em muitas culturas.
História à parte, o benzimento é uma crendice popular sem muito crédito no "mundo moderno", especialmente na comunidade cientótica, que precisa de provas palpáveis para comprovar uma experiência. Trabalhando com a fé e com o sobrenatural, o ato de benzer é utilizado até hoje, principalmente quando a medicina não dispõe de recursos para curar. E é aí que surge o paradoxo. Aqueles que não acreditam, passam a crer quando a doença bate em sua porta. São eles que enchem as “salas” dos benzedores.
Quem tem mais de 40 anos com certeza já passou pela experiência de ser benzido por um senhor ou senhorinha desses que nas cidades grandes já não existem ou estão “bem escondidinhos” para não serem julgados por exercício ilegal da medicina ou mesmo serem vistos como feiticeiros.
Nos 60 e bem antes dele, quando os profissionais de medicina eram escassos, as novas tecnologias eram raras e a indústria farmacêutica não tinha tanto espaço na sociedade, eram os benzedores que estavam em cena. Curando crianças e adultos de todos os males que as afligiam. Trabalho que fazem até hoje.
Na região de Bauru há inúmeros, mas poucos concordaram em falar. Temem pela procura muito grande e pelo estigma de curandeiros. Mas não negam o poder que possuem em ver aquilo que não pode ser observado no mais avançado aparelho de raio X e nem mesmo nas máquinas de ressonância magnética. Fazem um estudo do Ser como um todo e não em partes, uma busca atual da medicina que reaparece com nova titulação.
De tanto trabalhar, eles desenvolveram um repertório próprio e uma maneira só deles de fazer o “diagnóstico” com as mãos, com o pensamento e com mensagens que dizem receber de outros mundos.
Serenos, eles esbanjam calor humano e dedicam parte de seu dia em favor daqueles que dependem de orações para ficar em paz, tanto física como mentalmente. Usam as mãos ou uma planta como meio de receber as bênçãos de Deus e com elas livrar a pessoa daquilo que a aflige. Não cobram pelo serviço, motivo pelo qual estão em extinção numa economia globalizada e centrada no consumismo.
A substância básica usado em todos os “medicamentos” dos benzedores é a fé. Porém, em alguns casos, o remédio também conta com a mudança de comportamento e de hábitos não muito salutares. Para cada um dos males, eles têm uma forma de reconhecer e tratar as pessoas e os animais.