Regional

Benzedeiros têm perfil de gente simples

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Luzia Stábile dos Santos tem 65 anos. Descendente de italianos, ela trabalha na mesma casa há 33 anos. Se tornou benzedeira aos 9 anos, quando o irmão Antenor teve um problema de saúde. “Eu era uma menina quando o meu irmão, com o corpo quente entrou na água fria de um riacho. Ele ficou travado. Não se mexia. O patrão levou ele até para São Paulo e os médicos não descobriram o que ele tinha.”

Nessa época, uma prima dela levou uma roupa do doente para ser benzida em São Carlos. “Ela trouxe a roupa e um livro de orações. Aprendi a benzer com o livro. Me interessei porque meu irmão voltou a andar seis meses depois.”

Há 56 anos na “estrada”, a doméstica diz que não vai deixar o benzimento para nenhum dos descendentes. “Tenho quatro filhos, mas nenhum se interessou. É uma vida de muito sacrifício. Não tem hora nem lugar. Meu marido se incomoda com tanta gente em casa.”

O benzedor José Cerato, 78 anos, aprendeu a benzer por acaso. “Fui aprendendo com o pessoal mais antigo. Até padre me ensinou. Eu trabalhava na fazenda. O primeiro benzimento foi com uma criança.”

Conhecido no Brasil todo, seu José Cerato também detém a oração do responso, voltada para encontrar objetos e animais perdidos. “Um anel ou um animal perdido. Há fazendeiros de Goiás, Mato Grosso, Paraná que me ligam para curar “bicheiras” e encontrar animais. Faço a oração por telefone.”

A benzedeira Vicentina Aparecida de Souza recebeu a dádiva de benzer da própria família. “Alguns dos meus parentes benziam e me passaram as orações. Benzi pela primeira vez aos 7 anos. Uma criança foi em casa para ser benzida pela minha avó e ela não estava. Eu benzi.”

A força da benzedeira não tem limites. “Já benzi gente que está no Japão. Daqui fiz oração para a moça que estava com hemorragia e podia perder o bebê que estava esperando. Ela sarou e os parentes vieram me agradecer.” Para ela, o benzimento sem fé é como tomar água sem ter sede. “É um dom de Deus. A força não é nossa.”

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