O Egito foi um centro de irradiação de benzimentos. Tanto é que os egípcios, de uma forma ou de outra, viviam em função deles. Através da história deles, encontramos inúmeros rituais. Os povos sempre tiveram necessidade de uma comunicação espiritual, esse é o ponto de origem. Nessa busca, as antigas civilizações acreditavam que era através dos benzimentos (sagrado) que eles resolveriam seus problemas de saúde, explica o professor doutor Sidney Carlos Aznar que tem amplo estudo na área de crendices e que durante muitos anos lecionou na Unesp de Bauru.
Os egípcios, segundo o doutor em Ciências da Comunicação, curavam tudo com os benzimentos que tinham outros rituais à época. “Para curar hemorróidas, por exemplo, eles faziam o ânus em um couro de antílope e ofereciam para os deuses. Como não havia médicos, a saúde era uma preocupação deles.”
Na história sagrada, foi Zacarias quem primeiro reuniu os homens para passar seus conhecimentos sobre benzimentos. “Todo povo tem uma preocupação com a cura. Quando eles obtém, dão poderes sagrados, os antigos faziam isso. Quando o homem procura desvendar o sagrado, ele cria um referencial que pertence só a ele e a seu grupo. Não é todo grupo que aceita.”
Para o professor, cada grupo consome o benzimento de uma forma. “Do jeito que ele recebe a graça que ele chama de sagrado. A crendice é uma cultura aberta. Cada um tem um olhar diferente sobre a mesma coisa. Tudo está na cabeça das pessoas e na fé.”
No Brasil, os escravos foram os precursores do benzimento, fruto da sobrevivência, explica Aznar. “A situação deles no País era de usar o benzimento ou morrer. Mas o benzimento não é da cultura afro-descendente, os gregos são anteriores a eles.”
Os benzimentos encontraram um tipo de abertura própria deles. “Só que essa abertura foi cerceada pela igreja católica. Porque as senhoras de engenho usavam os benzimentos, embora não pudessem se declarar adeptas.”
Aqui os benzimentos se uniram as pajelanças dos índios e surtiu uma forma própria de cultuar o sagrado. “Hoje, a igreja católica aceita na maioria dos casos.”
A credibilidade dos benzimentos está concentrada na não cobrança, diz o professor. “Apesar de que na Bahia, muitos cobram pelo serviço”. Ele acha que, em função da não cobrança, as benzedeiras estão sumindo. “Os gregos já diziam que quando se fazia um bem em troca de algo não tinha nenhum valor. Como a benzedeira não tem rendimento com o benzimento, a atividade não interessa muito na sociedade consumista.”
Para o professor, entender o sagrado depende do repertório individual. “O que vai conduzir é a formação. O certo é que atualmente estamos perdendo os valores culturais. Os benzedores são chamados de feiticeiros.”
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A antropologia divide os homens em 3 tipos
H1: O pai espera a filha no carro para levá-la a escola. Ela demora e quando chega diz que quebrou um espelho. O homem 01 (erudito, estudado) responde para a filha que vai comprar outro.
H2: A mesma situação vivida pelo homem estudado que traz o conhecimento do sagrado através de sua família vai ser respondida de maneira diferente: depois da escola vou levar você para benzer. Quebrar espelho traz sete anos de azar.
H3: O homem produto da mídia já vive uma situação diferente. Vê em uma propaganda a divulgação de uma bandeja de espelho que não quebra e diz: Essa eu vou comprar porque ela não quebra e portanto não atrai o azar.