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Venezuelanos vão às urnas hoje

Folhapress
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Caracas - Com o crachá funcional pendurado sobre a camisa vermelha, o motorista Julian Coronado, 53, do governo do Estado de Miranda (região metropolitana de Caracas), esperava o começo de um comício montado com o apoio logístico de outros funcionários públicos. Na última quarta, o microônibus que dirige deixou a rotina de levar crianças à escola para transportar militantes chavistas.

“Não é contra a lei porque os governos anteriores faziam igualzinho”, diz Coronado, filiado ao PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela) e um das dezenas de funcionários públicos mobilizados para o ato político do governador candidato à reeleição, Diosdado Cabello. “Além disso, é uma unidade de transporte público e está aqui a serviço do povo.”

Junto ao microônibus de Coronado, havia oito unidades semelhantes, além de camionetas brancas. Quase todas identificadas com as instituições estaduais a que pertencem.

“A utilização da máquina eleitoral é evidente, não se esconde”, afirma Luis Lander, da ONG Olho Eleitoral, que faz monitoramento de campanha com financiamento de embaixadas. “Nessas eleições, o uso do governo nacional tem sido muito forte, mas não se limita a ele. Os governos da oposição também fazem o mesmo.”

Hoje, os venezuelanos votam para renovar os governos de 23 dos 24 Estados, 326 prefeituras e os Legislativos regionais. O tradicional uso da máquina estatal - proibido por lei, mas tolerado pelo CNE (Conselho Nacional Eleitoral) - e o avanço dos candidatos governistas durante as últimas semanas diminuíram as chances de vitória nas eleições de amanhã, mostram pesquisas de opinião.

Lançando mão de cadeias obrigatórias de rádio e TV, o presidente Hugo Chávez dedicou praticamente todo o seu tempo nas duas semanas para promover seus candidatos na tentativa de manter sua hegemonia obtida há quatro anos, quando elegeu sem dificuldades 22 dos 24 governadores e mais de 70% dos prefeitos.

Vitória fundamental

Uma vitória contundente é considerada fundamental para que Chávez convoque novamente um referendo para aprovar a reeleição presidencial sem limite de mandatos -atualmente, ele não pode concorrer nas próximas eleições presidenciais, em 2012. No ano passado, a alteração foi derrotada em consulta popular.

“O tom plebiscitário adotado pelo presidente Chávez nas eleições regionais tem acabado com as diferenças nos Estados com vantagem inicial dos opositores”, diz Luis Vicente León, do instituto Datanálisis. Com isso, avalia, a chamada “capacidade de mobilização” será crucial durante a votação.

León cita o Estado de Barinas, terra natal dos Chávez governada há dez anos pelo patriarca, Hugo de los Reyes Chávez. Ali, o dissidente Julio Cesar Reyes tem pequena vantagem sobre o candidato oficialista, Adán, irmão do presidente.

“Em Barinas, como a capacidade de mobilização do presidente Chávez é gigantesca, a preferência não é suficiente para projetar um triunfo de Reyes”, afirma León.

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