Um “look” mais simples, composto por calça jeans, tênis e camiseta, pode tornar-se “arma” para driblar furtos e roubos durante as compras de Natal. Para não sofrer sobressaltos no caminho entre uma loja e outra, o básico deve preponderar a despeito de bolsas e óculos de sol caros, além de correntes, pulseiras e brincos chamativos. Sem exuberância, fica mais fácil passar despercebido pelo olhar atento dos que estudam suas vítimas, normalmente distraídas em meio às listas de presentes.
“A roupa tem que ser adequada para a ação que se pretende. A pessoa tem que estar focada na compra, não em ostentar o que quer que seja”, comenta o major Nelson Garcia Filho, subcomandante do 4º Batalhão da Polícia Militar (PM). No entanto, tem quem procure presentes enquanto consulta as horas em relógios de mais de R$ 8 mil, e põe e tira óculos avaliados em mais de R$ 2 mil. Isso, sem contar nos saltos.
Com calçado adequado, a pessoa faz menos paradas e fica menos vulnerável, avalia o major. “Sem contar que vai caminhar dez, 12 quadras”, acrescenta. Lislaid Avelino, que trabalha no setor administrativo de uma empresa, leva tudo isso em conta e não somente no período de festas. Ao vestir-se para visitar lojas escolhe rasteirinhas, bolsas menores e short, por exemplo. “E não pode ser muito curto, se não também chama atenção. Nem coloco nada (ao referir-se a adornos como brincos e pulseiras)”, diz.
Tornou-se mais precavida principalmente depois que levaram sua bolsa – com dinheiro, vale-transporte e documentos – quando voltava da escola, à noite, pelo Centro da cidade. “Um rapaz vinha atrás e puxou minha mochila. Por impulso, reagi. Sei que não é correto, que corri risco. Hoje, fico incomodada quando percebo alguém caminhando atrás”, admite. Em caso de desconfiança, a PM recomenda que a vítima mude de calçada e observe o comportamento do suspeito.
Fogo
Se tiver de gritar, não use a palavra “socorro” porque, ao invés do que a maioria imagina, ela faz as pessoas ao redor recuarem, pois fica claro que há perigo próximo. O ideal é gritar “fogo”, explica o subcomandante do batalhão. De acordo com ele, a mesma orientação deve ser acatada por vítimas de eventuais estupros. Garcia explica que, em muitos casos, pequenas precauções podem evitar grandes dores de cabeça.
Por exemplo, o cuidado em colocar uma corrente galvanizada, travada com cadeado, entre a direção do carro e um dos pedais pode evitar que ele seja furtado enquanto estiver estacionado. “São formas bem baratas. É possível comprar uma corrente destas num ferro velho, não sai caro. As pessoas só pensam nisso depois”, afirma. Outro cuidado simples é não ir sozinho às compras.
“Procure ir acompanhado. No caso de criança, ela tem de estar identificada, com nome e endereço no bolso. Tem que ser orientada sobre como atravessar a rua e, caso se perca dos pais, a procurar um policial militar, além de não conversar com estranhos”, conclui.