Regional

Alerta climático começa operar em abril

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

Cabrália Paulista - A região de Bauru passará a ser monitorada para alerta de desastres relacionados às mudanças climáticas com a instalação do Centro Integrado de Alerta de Desastres Naturais (Ciaden), na Escola Técnica Estadual (Etec) “Astor de Mattos Carvalho”, em Cabrália Paulista (45 quilômetros de Bauru). O cronograma, apresentado na última semana, define o início do acompanhamento a partir de abril de 2009, com sete cidades monitoradas numa fase experimental do sistema de informações, para, na seqüência, estender a cobertura a 39 municípios da região de Bauru.

A amarração dos dados é feita em tempo real por um programa de computadores (software) desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Sistema de Monitoramento e Alerta a Desastre Naturais (Sismaden). A Defesa Civil de Cabrália será a primeira do País a utilizar do Sismaden. O sistema integrado monitora furacões, tufões, chuva, chuva com granizo, enchentes, deslizamentos de terra, seca extrema, com risco de incêndios florestais, quebra de safra por falta de chuva ou por excesso de precipitação.

O programa possibilita projetar que uma determinada quantidade de chuva provocará uma enchente. Em situação oposta, a escassez aumenta o potencial para incêndios. Segundo o especialista em geociências e meio ambiente do Inpe, Eymar Silva Sampaio Lopes, é possível cruzar os dados da direção do vento com focos de queimada no Estado e prevenir a destruição de uma floresta. O Inpe, em seu site, já informa os pontos de incêndios no País todo. O sistema detectaria imediata ocorrência de vento, por exemplo, próximo ao fogo em um canavial e que atingiria um reflorestamento de eucaliptos, como as imensas florestas distribuídas pela região.

Com a entrada em funcionamento do Ciaden, os estragos recentes causados por chuva e ventania em Agudos, Garça, Duartina e Gália poderiam ser menores. O sistema geraria um alerta para os órgãos de defesa civil dos municípios que tomariam as medidas minimizadoras do impacto.

Para Lopes, o que garante o sucesso do sistema de varredura de desastres é a disponibilidade dos dados em tempo real, possível apenas com a integração de vários órgãos e equipe multidisciplinar. Apenas o dado meteorológico disponível não é capaz de evitar uma catástrofe, pois o “guarda-chuva” de proteção depende da rápida tradução da informação, seguida de correta ação preventiva.

Prevenção

O sistema em implantação em Cabrália propicia acesso a informações alocadas em divresos bancos de dados espalhados pelo Brasil. Uma pessoa em uma zona de risco pode receber, por intermédio do palm top, uma informação precisa que evitaria, não a enchente, mas as conseqüências devastadoras provocadas pela cheia.

O coordenador da Defesa Civil de Cabrália, Evandro Antonio Cavarsan, diz que o sistema propiciará a prevenção em lugares com maior risco. Ele avalia que diminui o tempo para mobilizar o socorro às pessoas, por exemplo, em um lugar que pode ser inundado.

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Referência em projetos

A Escola Técnica Estadual (Etec) “Astor de Mattos Carvalho”, em Cabrália Paulista, adquire uma formatação de instituição de ensino que fomenta a inovação tecnológica. Lourenço Magnoni Júnior, diretor da Etec, revela que a intenção é de transformar o Centro Paulo Souza, a partir de Cabrália, em uma referência de parceria e projetos nas áreas técnico-científica. A unidade já implantou o biodigestor em uma parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e empresas da iniciativa privada. “Se o projeto da Embrapa está projetando em nível internacional, esse aqui (Ciaden) pode ser no mesmo calíbre”, aposta Magnoni.

Ele ressalta que, para os alunos da Etec, será fundamental manter contato com o sistema informatizado que contribui para os estudos do aquecimento global. “Essas informações, que vão sendo cruzadas, podem ser um banco de dados para o estudo no futuro”, sugere. Cita ainda que o técnico formado na escola vai para o mercado de trabalho com uma base mais ampla. “É uma área crucial hoje. Quando você fala em enteder os eventos climáticos está embutida a questão política, econômica, social e cultural. O próprio ‘Centro Paula Souza’ está também interessado em aprofundar nessa questão”, ressalta.

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