São Paulo - Em reunião ministerial ontem na Granja do Torto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o país tem condições de continuar a trajetória de crescimento do país, apesar da gravidade da crise financeira internacional. O ministro Guido Mantega (Fazenda) repassou os principais pontos do encontro em entrevista coletiva em Brasília.
“O presidente Lula disse, após um balanço da situação e considerando a gravidade da crise, que podemos continuar a nossa trajetória de crescimento, com alguns arranhões, segundo ele mesmo disse, mas podemos continuar seguindo a trajetória de crescimento sem maiores dificuldades”, afirmou Mantega. “2009 será pior que 2008. O mundo estará crescendo menos. Os Estados Unidos, a União Européia e o Japão estarão em recessão, porém com a vantagem que estarão buscando o caminho da reação econômica”, acrescentou.
Segundo Mantega, o Brasil se preparou melhor para a crise, com o fortalecimento das reservas internacionais, medidas fiscais e diversificação das exportações, “produzindo uma situação mais sólida”.
“Não é por acaso que o Brasil tem situação melhor, inclusive entre os emergentes. Nós estamos melhor equilibrados. Temos mais condições de dar continuidade ao processo de desenvolvimento, com o acerto de colocarmos o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) em funcionamento”, disse Mantega, que destacou a importância de fortalecer o mercado interno.
“A política de crédito levou à expansão do mercado interno, que faz toda a diferença numa crise como essa. Os EUA mergulharam em uma crise de crédito. Temos um mercado mais dinâmico”, acrescentou.
Mantega ainda mostrou aprovação com o socorro do governo dos EUA ao Citibank e à nomeação de Timothy Geithner como o secretário de Tesouro do governo Obama.
“A intervenção no Citi foi rápida de modo a não gerar um novo problema e foi bem sucedida. Talvez a antecipação da equipe econômica de Obama possa nos ajudar nesse sentido. A nomeação do Timothy Geithner no Tesouro é positiva no sentido que ele está envolvido no programa de recuperação da economia americana. ele já tem uma intimidade com o que está sendo feito agora e é um homem de confiança dos democratas”, disse Mantega.
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Presidente defende biocombustível
São Paulo - Ao fazer um balanço da 1ª Conferência Internacional de Biocombustíveis, realizada em São Paulo na última semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que o mundo irá “se curvar” ao biocombustível e que isso seria apenas uma questão de tempo. Para ele, o encontro teve “êxito total e extraordinário” com a participação de cerca de 100 delegações, quase a metade representada por ministros. As informações são da Agência Brasil.
Segundo Lula, há uma “quase unanimidade’’ de que o mundo precisa apostar em uma nova matriz energética. “Sabemos que o mundo precisa produzir mais biocombustível, que é preciso diminuir a emissão de gases de efeito estufa e que, para isso, não podemos usar a mesma quantidade de petróleo que estamos utilizando”, disse, no programa semanal “Café com o Presidente”.
Lula lembrou ainda que, em dezembro deste ano, o país comemora a produção de 7 milhões de automóveis flex fuel (veículos capazes de funcionar tanto com álcool quanto com gasolina), tecnologia, segundo ele, “aprovada e comprovada” de que os mesmos motores, mesmo utilizando álcool, têm bom rendimento.
“Além disso, já estamos trabalhando a produção de etanol de segunda geração, o que é uma coisa mais importante, porque vamos poder produzir etanol de cavaco de madeira e de bagaço de cana. Temos que fazer um debate internacional. Não é uma coisa fácil as pessoas mudarem, mas acho que o Brasil, com esse seminário, saiu na frente.”
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“Estamos sendo atingidos”
Brasília - Guido Mantega, relatou que, durante a reunião, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliou que o Brasil está em uma situação melhor para enfrentar a crise financeira internacional do que outros países emergentes, como, por exemplo, a Índia, a Coréia e a Rússia.
Mantega reproduziu ainda outra frase do presidente sobre a crise: “Estamos sendo atingidos, seremos atingidos, mas, em relação à Índia, Coréia ou Rússia, o Brasil está em uma situação melhor.”
O presidente afirmou, segundo o ministro da Fazenda, que a situação da economia brasileira não se deve a uma fatalidade nem à sorte. “Se fosse isso, todos os países estariam surfando na onda das commodities”, disse o presidente, segundo o ministro.
Lula destacou, de acordo com o relato de Mantega, que, diferentemente de outros governos, o do Brasil fortaleceu as reservas, buscou novos mercados e se tornou menos vulnerável. “Tudo isso foi algo produzido pelo governo ao longo do tempo. Não é por acaso que o Brasil está em situação melhor. Estamos mais bem equilibrados que outros países, que estão tendo, por exemplo, grande fuga de capitais”, afirmou o ministro da Fazenda.