Cultura

Rodrigo espera sambistas para discutir Carnaval

Karla Beraldo
| Tempo de leitura: 3 min

O Carnaval está próximo e, como tem acontecido nos últimos anos, permanece indefinido se a folia ganhará ou não as ruas de Bauru. Depois de um jejum de sete anos, o desfile de blocos na avenida Nações Unidas, neste ano, trouxe o Carnaval de volta à cidade para a alegria da população que estava com saudade de mostrar o samba no pé.

Sete blocos participaram do evento. Falou-se em organização de uma liga, grupos que pretendiam transformar-se em escolas de samba, tudo para que o retorno do Carnaval bauruense se concretizasse. Assombrado pelo problema de sempre - a falta de verbas - nem os planos seguiram adiante.

Quanto a esse fantasma, o prefeito eleito, Rodrigo Agostinho, é categórico: não há recursos disponíveis no orçamento para financiar o Carnaval de rua em Bauru. O futuro administrador aposta, sim, em uma festa popular, mas cuja realização apenas será possível com a conquista de patrocínios e, principalmente, iniciativa direta das pessoas envolvidas com a festa.

“A prefeitura não pode dar verba, mas pode ser fomentadora do evento. O Carnaval é um manifestação que tem que acontecer de baixo para cima, não pode ser imposta. Todos que tiverem interesse têm que se organizar. Os grupos que estão a fim de desfilar têm que mostrar esse interesse”, considera Rodrigo.

Segundo José Augusto Vinagre, atual secretário Municipal de Cultura, a secretaria e representantes das escolas já se reuniram em um encontro informal para discutir o Carnaval. Mas que, por conta da troca de administração, fica difícil assumir qualquer compromisso com os Carnavalescos. “Não temos nada definido, estamos em compasso de espera”, sintetiza.

Presente nessa reunião estava também a Associação Bauru pela Diversidade que, entre suas ações, pretende, ao lado das escolas, promover o resgate do Carnaval.

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Associação e escolas se mobilizam

A Associação Bauru pela Diversidade se reuniu com os integrantes das escolas de samba na tentativa de promover a realização do Carnaval na cidade. Promotora da 1.ª Parada pela Diversidade de Bauru, que levou mais de 15 mil pessoas para a avenida Nações Unidas, no dia 7 de setembro, a associação pretende, ao lado das escolas, promover o Carnaval.

“Convidamos as escolas para participar com a gente e estamos dependendo do posicionamento delas. Já fizemos duas reuniões, mas só na sexta-feira definiremos exatamente o que vamos fazer”, explica Marcos Souza, o Markinhos, um dos integrantes da associação. A idéia inicial é parar a principal avenida de Bauru com trios elétricos e desfiles. “Queremos misturar as duas coisas. Mas mesmo se não der certo com as escolas, não deixaremos o Carnaval passar em branco”, promete Markinhos.

Para Cleide Maria Neves Caleda, presidente da escola de samba Azulão do Morro, qualquer iniciativa, como o desfile de blocos realizado no último Carnaval, é importante para não deixar morrer os dias de folia em Bauru. Mas, segundo a Carnavalesca, o que as escolas desejam mesmo é voltar ver suas alegorias pelo Sambódromo Municipal. “Durante as nossas conversas, quatro das seis escolas não mostraram interesse em colocar blocos nas ruas”, revela. “Com o pouco tempo e dinheiro, talvez o mais viável seria montar uma única escola, na qual cada uma já existente ficasse responsável por umas duas alas”, considera.

Vanderlei Antônio de Oliveira, um dos responsáveis pelo bloco “Em Cima da Hora”, que desfilou neste Carnaval, diz que a cidade peca mais uma vez pela falta de planejamento. O nome escolhido para o vice-campeão do desfile não foi por coincidência. O bloco do bairro Mary Dota teve apenas 15 dias para organizar sua apresentação na avenida. “Todo ano é essa enrolação. Não teve planejamento para o último Carnaval e em 2009 parece que vai ser a mesma coisa”, lembra.

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