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Biblioteca torna-se ‘acervo’ de animais

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

A Biblioteca Ramal Vanir de Carli Cunha, situada no Jardim Progresso, tornou-se “acervo” de animais abandonados. Só na última semana, dez filhotes de gato foram deixados no local. No geral, o volume de bichos já supera o total de livros doados. A dedicação dos funcionários com cada um dos animais que chegam pode ajudar a explicar as razões que transformaram o endereço numa espécie de depósito de cães e gatos feridos, recém-nascidos ou doentes.

Talvez por ser um órgão público sem expediente noturno, anônimos se sentem menos constrangidos em demonstrar irresponsabilidade com o trato animal. Abandono é crime, além de ser cruel.

“Nós gostaríamos que a população se conscientizasse e não fizesse mais isso. A biblioteca não pode ficar com eles, não é adequado”, comenta a funcionária pública Graciele Zotino.

Ela explica que, frente à situação, a orientação da diretoria é comunicar o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) para recolher os animais. Ocorre que a função do centro também não é essa e os bichos correm o risco de serem eutanasiados, avalia. Para evitar tal fim, ela e as colegas de trabalho tentam encontrar entre moradores próximos, quem possa adotar os bichos abandonados. Graciele, por exemplo, já levou para casa um pit bull deixado na biblioteca com poucos dias de vida.

Paixão

Ontem, quando deixaram mais sete gatos no mesmo local, sua filha mais nova, Sabrina, 3 anos, apaixonou-se por um deles. Pediu para a mãe levá-lo embora dentro da bolsa durante o trajeto com circular. “Não dá, mas amanhã venho de carro para buscá-lo”, explicou a servidora para a criança. Ela conta que outras funcionárias mais antigas, como Geni Romano, também adotaram animais nas mesmas condições.

“Não se pode abandonar animal nem aqui, nem em lugar nenhum. Recebemos cães doentes, com perna machucada, atropelado, com leishmaniose. Às vezes são de raça, às vezes sem raça definida”, acrescenta Graciele. Muitos são recolhidos pelo CCZ, que também não é abrigo de animais. Seus servidores, como os da biblioteca, se esforçam para viabilizar a adoção dos animais saudáveis.

A equipe específica para o desenvolvimento desse trabalho conta, inclusive, com um cadastro de possíveis interessados na adoção e as características do bicho que aguardam, informa Flávio Tadeu Salvador, diretor da Vigilância Sanitária, órgão da Secretaria Municipal de Saúde. De acordo com ele, quando o animal chega com comprometimento de saúde, é submetido à eutanásia. Mas quando está ferido, dependendo da extensão do problema, é recuperado e colocado para adoção.

“A primavera é época de procriação da gatas. Tem dia que chegam de 15 a 20 filhotes no CCZ. Nós estimulamos muito a adoção de gatos até por conta da leishmaniose. Eles não pegam. Também estimulamos a castração. Tem animal que vai à doação já castrado”, informa. Apesar dos cuidados, a função específica do CCZ é o controle de enfermidades cuja transmissão se dá pela relação animais-homens e vice-versa.

“Temos que proteger a saúde das pessoas, o que não significa maltratar animais. Pelo contrário. Nosso gatil tem até árvore de Natal”, conclui.

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