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Cidade do futuro


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Lembro-me bem da cidade de Bauru ainda desde criança, nos anos 70, quando eu me maravilhava com a organização e qualidade de vida dos Bauruenses. Percebia que se tratava de um lugar de excelência para se viver. Lembro-me até dos bancos de couro azul do circular amarelinho da cidade. Que prazer era passear de ônibus! Que cidade limpa, bonita e vistosa, pensávamos, admirados, ao percorrer o cartão de visita da cidade, a Avenida Nações Unidas. Porém, ao longo dos anos, mesmo estando mais distantes dos problemas da cidade, foi possível perceber o surgimento das incongruências que a cidade destacava. A cidade crescia, mas os governantes não pareciam perceber as conseqüências daquele crescimento. Aparecia uma população diferente, desigual, e isso foi se tornando constante ao longo dos anos.

As melhores administrações acabaram servindo somente como registro da história e ao menos os governantes que surgiam tentaram seguir aquele modelo de desenvolvimento proposto anteriormente por outras administrações.

A desativação da ferrovia, patrimônio histórico da cidade, fora um ato de violência contra a população bauruense. Quem estudou um pouco de geografia sabe que a permanência deste sistema de transporte é vital para a economia nacional e local. E não foi daí que o slogan a “Cidade Sem Limites” se firmou? Muita estranheza me causou ao ouvir do candidato aspirante a prefeito, no último debate, que este sistema de transporte já estava em desuso. Confesso que fiquei extremamente confusa, não entendendo o que ele percebia como desenvolvimento. Bem, não é a toa que PMDB e PT alcançaram expressiva votação no último domingo das eleições. Ambos os partidos sempre estiveram voltados para as questões sociais e de desenvolvimento, custe o que custar, briga-se o que for necessário, mas tudo em nome do futuro das cidades e do país, através de planos, projetos e atuação política constante. É por isso que o PMDB voltou à baila. Bauru não foi diferente. O candidato do Rio de Janeiro, Eduardo Paes e Rodrigo Agostinho, além da quase semelhança de idade e de vontade de participação política, levaram em seus discursos propostas que se encaixam nos ideais de desenvolvimento urbano e assistência social. O que ocorre é que há de quem se esqueça que vivemos num país ainda em desenvolvimento, como enfatiza o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim – e subdesenvolvido em muitas regiões até mesmo urbanas - daí a necessidade desta famigerada assistência do Estado à população mais carente e distante dos benefícios sociais já conquistados pelas classes mais elevadas.

Com certeza, não queremos ver Bauru marginalizada do progresso. Queremos vê-la como fora no passado. Temos, agora, a proposta de Bauru se tornar a capital do Estado, sonho antigo que toma contornos de realidade. E por que, não? Sonhar alto é a possibilidade de transformarmos este sonho em realidade, porque o desejo é proporcional à ação. É assim que as coisas acontecem. Mas para isso, muito progresso deverá ser atingido. Por tudo isso, esperamos que Bauru volte aos trilhos, de novo!

Adriana Nigro Cardia é formada em Ciências da Comunicação pela USP, professora universitária e consultora.adriananigro2002@yahoo.com.br

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