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Aventura: Casal bauruense se prepara para ‘off road’ continental

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 4 min

Não basta apenas chegar, é preciso vivenciar o caminho, que, em muitos casos, chega a valer mais do que o próprio destino. Essa máxima é um dos principais “combustíveis” que movem o casal de namorados Luís Fernando Martinhão e Anne Caroline Amaral, a se embrenhar, a partir do dia 22 de dezembro, por uma aventura de sete mil quilômetros continente afora.

Eles percorrerão - a bordo de um jipe Troller 4 x 4 - um itinerário misto de asfalto e trilhas de chão batido, no interior de quatro países. Além de Brasil, os aventureiros cruzarão rincões argentinos, chilenos e bolivianos.

Entre as principais paradas previstas no roteiro, elaborado minuciosamente pelo casal, que planeja a viagem de aventura desde junho, figuram o Salar de Uyuni, no Altiplano Boliviano, o deserto de Atacama, no Chile, além de desníveis quilométricos, ao serpentear as estradas das Cordilheiras dos Andes.

A primeira idéia, comenta Martinhão, que trabalha com comércio na área de medicamentos, era seguir em direção à “parte de baixo” do mapa, em direção a Ushuaia, na Terra do Fogo, extremo sul da Patagônia argentina. No entanto, essa idéia foi, segundo o casal, adiada, em virtude da distância e tempo que terão de férias.

Anne, que é consultora de vendas, explica que ambos reservaram vinte dias longe do trabalho. No entanto, apenas 16 serão destinados a aventura. “Os outros quatro dias ficam para a resolução de algum contratempo”, detalha, precavida.

De acordo com o casal, a escolha por adentrar rumo ao altiplano boliviano, passando pelo interior da Argentina e deserto chileno, foi perfeita em função do tempo que ambos possuem. “O tempo e a distância a ser percorrida se encaixaram perfeitamente”, considera Martinhão.

Logística

Apesar da idéia inicial de viajar acompanhado por uma trupe de jipeiros, a “expedição”, como eles mesmo chamam e que motivou até mesmo a criação de um blog na internet, que servirá como “Diário de Bordo”, retratando os passos diários da aventura, terá apenas uma dupla piloto/navegador, no caso, respectivamente, Martinhão e Anne.

Já que não conterão com o apoio logístico comum em grupos, eles se preparam para cair na estrada com o bagageiro carregado de utensílios fundamentais numa aventura nesses moldes. “Seguiremos com dois aparelhos GPS, dois estepes, sacos de dormir e quarenta litros de combustível (óleo diesel)”, detalha Luís, que, ciente de que, em alguns trechos, guiará durante muitos quilômetros em terrenos praticamente isolados, sem a existência de postos de apoio, enfatiza a aquisição de um guincho de arrasto (cambão), acessório, segundo ele, exigido pelas autoridades argentinas nesse tipo de viagem. “Poderíamos ir de avião ou percorrer um roteiro de cinco mil quilômetros apenas pelo asfalto. Mas queremos mais, nosso propósito é uma viagem de aventura, por isso teremos dois mil quilômetros a mais”, enfatiza Martinhão. “Na verdade, o meu destino é chegar em Bauru novamente”, descontrai.

Entretanto, o casal sabe que, antes de retomar aos arredores da “Cidade sem Limites”, terão que enfrentar barreiras e surpresas alheias a planejamento e estrutura previamente preparados. “A viagem está muito bem estruturada, mas somente estando lá é que teremos a completa noção do que vamos encontrar”, reconhece Luís.

Exigências

Os trâmites para seguir viagem incluem providências burocráticas, como expedição de documentos, entre eles a “Carta Verde”, obrigatória, explicam os aventureiros, em viagens do gênero entre países sulamericanos. Eles caem na estrada também munidos de passaporte, que, apesar de não ser obrigatório, agiliza passagem por postos aduaneiros. “É preciso também estar em dia com vacinas, tomamos a de febre amarela”, acentua Luís, recordando que, entre a burocracia, precisou se deslocar até o aeroporto de Congonhas, em São Paulo, em busca de um atestado especial de imunização.

Obrigações legais a parte, o casal sabe que, entre as principais exigências, figurarão a resistência a altitude e a oscilação de temperatura que enfrentarão ao cruzarem as fronteiras dos países vizinhos. “Serão 4,8 mil metros acima na Cordilheira, entre Argentina e Chile. Já no altiplano boliviano, a temperatura, nesta época do ano, durante a noite, está em torno de quatro a cinco graus negativos. Durante o dia é de, aproximadamente 12 graus”, estima Martinhão. “O vento nessa região é muito forte”, comenta Luís, que, ao lado da namorada, se inteirou de todos as características do roteiro com outros aventureiros que já passaram pelo teste da primeira viagem. “Essa é a primeira mas, em nossos planos, já estão futuras idas ao extremo sul da Argentina e ao Peru. Estamos preparados”, anuncia.

• Serviço

A aventura do casal bauruense pode ser acompanhada via Internet. Eles disponibilizarão fotos e relatos no “diario de bordo” on line, acessado pelo blog www.atacama4x4.multiply.com.

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