Internacional

Epidemia de cólera pode levar as tropas estrangeiras a depor governo de Mugabe


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Harare - A pressão internacional sobre o governo do Zimbábue chegou neste final de semana ao ápice, com apelos abertos pela renúncia ou deposição do ditador Robert Mugabe. O país enfrenta um colapso econômico, com a inflação de 231.000.000% anuais, um impasse político e uma epidemia de cólera, impulsionada pela falência do saneamento básico, que matou mais de 500 pessoas.

Ontem, o primeiro-ministro do Quênia, Raila Odinga, disse que tropas estrangeiras devem se preparar para intervir no Zimbábue, para dar fim à crise humanitária, e que Mugabe deveria ser investigado por crimes contra a humanidade.

“Se não houver tropas disponíveis, então a União Africana (UA) deve permitir que as Nações Unidas enviem as suas forças para o Zimbábue, com efeito imediato, para assumir o controle do país e garantir a assistência humanitária urgente para as pessoas que morrem de cólera”, disse Odinga, defendendo a realização de uma cúpula de emergência dos países da região.

A declaração vem a público um dia depois de a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, afirmar que os países da região deviam tomar medidas concretas contra o presidente do Zimbábue. “Já passou da hora de Mugabe sair. Se para a comunidade internacional isso não é uma evidência de que é hora de agir, eu não sei o que será”, disse ela.

Exortações à intervenção ainda mais delicadas politicamente vieram da ex-metrópole colonial do Zimbábue. O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, disse ontem que a crise virou uma emergência internacional e pediu ao mundo que se una para dizer “basta” a Mugabe. Em um comunicado, Brown argumentou que a crise no país africano “é internacional porque as doenças cruzam fronteiras” e porque “os sistemas do governo do Zimbábue estão partidos”. “Não há um Estado capaz ou disposto a proteger sua gente”, afirmou o primeiro-ministro britânico.

O governo do Zimbábue reagiu apelando para o sentimento anticolonialista. Um jornal estatal informou ontem a ex-metrópole está usando a epidemia de cólera como desculpa para conseguir apoio ocidental para uma invasão.

“Eu não sei do que este louco primeiro-ministro (Brown) está falando. Ele está pedindo uma invasão do Zimbábue... mas ele vai fracassar”, disse George Charamba, porta-voz do governo ao jornal. O governo freqüentemente culpa o Reino Unido e outras nações ocidentais pelos problemas do Zimbábue, dizendo que sanções contra Mugabe e seu círculo mais próximo de seguidores sabotaram a economia.

Mas o discurso contra as antigas metrópoles e a aura de herói africano que Mugabe um dia ostentou já não são suficientes para garantir o apoio de todos os vizinhos.

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