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Decisão do Supremo acirra tensão entre arrozeiros e indígenas em RR

Folhapress
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São Paulo - Contrários à demarcação contínua da terra indígena Raposa/Serra do Sol, em Roraima, o governador do Estado, José de Anchieta Júnior (PSDB), e o líder arrozeiro e prefeito de Pacaraima (RR), Paulo César Quartiero (DEM), afirmaram ontem que haverá conflito na reserva, seja qual for a decisão do Supremo Tribunal Federal.

O governador disse, em Brasília, que está de prontidão para mobilizar médicos, ambulâncias e helicóptero, após o julgamento nesta quarta-feira. Quartiero, que também viajou ontem para Brasília, afirmou ter orientado funcionários a atirar em índios, se houver invasão de fazendas.

“A realidade do Estado hoje é um clima tenso. Acredito que, seja qual for o resultado (no STF), deve ter conflito. O nível de acirramento está muito grande”, disse Anchieta Júnior, que prevê conflito entre os próprios índios, porque muitos deles seriam contra a demarcação contínua. Ele distribuiu um DVD à imprensa com depoimentos de pessoas contrárias à demarcação da maneira proposta pelo governo federal.

Polêmica

A demarcação da reserva é um dos temas mais polêmicos a ser analisado na história do STF. A área, homologada pelo presidente Lula em 2005, corresponde a 11 cidades de São Paulo e está encravada no extremo norte de Roraima. Para o governador, a terra indígena na fronteira com Venezuela e Guiana ameaça a soberania nacional. Ele defende o convívio entre índios e fazendeiros.

Na região vivem mais de 18 mil índios de cinco etnias, segundo a Fundação Nacional do Índio (Funai), com predominância dos macuxi. O imbróglio sobre a demarcação, se em ilhas (com a possibilidade de brancos viveram no local) ou contínua (somente com os indígenas), se arrasta há dez anos.

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