Cafelândia - O prefeito releeito de Cafelândia (83 quilômetros de Bauru), Orivaldo Gazoto (PT), está sendo acusado, outra vez, de compra de votos. A denúncia partiu de uma moradora da cidade que diz ter recebido R$ 1 mil para deixar instalar um outdoour em sua casa, durante a campanha.
A denunciante conta ainda que adesivou seu veículo e recebeu requisição para abastecer a sua camionhete. O advogado do prefeito, Marco Antonio Martins Ramos disse que as denúncias não têm fundamento e não passam de “choro de perdedor”.
Suelem Pelegrino diz que foi ela quem procurou o prefeito, à época, candidato à reeleição. “Eu procurei o prefeito e ele me ofereceu R$ 1 mil para colocar um outdoour em minha casa que fica em frente à Câmara Municipal.”
Segundo a denunciante, a quitanda da família dela emitiu duas notas fiscais no valor de R$ 500,00 para uma propriedade rural da família do prefeito. “Ele justificou a saída do dinheiro. Me pagou em duas parcelas. A primeira com um cheque da fazenda e a outra, em dinheiro.”
A moradora conta ainda que, no dia da carreata realizada na cidade, adesivou seu veículo e recebeu uma requisição com direito a retirar 20 litros de gasolina. “A requisição era do posto do Lino.”
A denunciante explica que resolveu falar depois da eleição e da vitória do candidato, porque ficou revoltada com a situação. “Quero que seja feita justiça.”
Denúncia contundente
Para o vereador Jonas Gallo (PP), que acompanhava Suelem Pelegrino, a denúncia feita pela moradora é a mais contundente, dentre tantas feitas contra o atual administrador da cidade. “Ele responde por cerca de 30 processos na Justiça.”
Para Gallo, a última eleição não serviu de exemplo de democracia. “Para os jovens ficou a impressão que para ser candidato é necessário ter dinheiro. Estamos vivendo uma ditadura disfarçada de democracia. As provas estão nas mãos da Justiça Eleitoral que eu acredito vai fazer justiça.”
Para o advogado do prefeito, Marco Antonio Martins Ramos, as denúncias não passam de “choro de perdedor”. “Depois que apurou o resultado das eleições curiosamente começaram a surgir denúncias sem razão, despreparadas. Cada semana plantam uma denúncia para tentar mudar o resultado das eleição que atendeu a democracia, ordem pública e foi eficazmente vigiada pela justiça eleitoral e pela polícia local.”
Na opinião dele, as denúncias são “patéticas”, irritam e não são capazes de produzir qualquer situação jurídica. O juiz eleitoral de Cafelândia, Adriano Ponce disse ontem que a Justiça Eleitoral não tem compromisso de evitar ou não a posse de quem quer que seja. O compromisso da Justiça Eleitoral é colher as provas e seguir o rito do processo.
Para o juiz, não há motivo aparente para impedir a diplomação do prefeito reeleito. “Jamais a audiência seria antecipada. Até porque não há motivo aparente.”
Ponce explicou que está sendo conferida a prestação de contas de todos os candidatos. “Oito dias antes da diplomação, todas as prestações de contas devem ser conferidas. Dia 17 vamos fazer a diplomação dos vencedores.”
No dia 19, segundo informou o juiz, será a audiência de instrução do processo. “Seguem as manifestações das duas coligações, da promotoria para então sair uma decisão. Acredito que só no ano que vem terá um desfecho. A diplomação e posse não vão ser prejudicadas, pelo menos por enquanto.”
De acordo com ele, algumas denúncias foram feitas pela imprensa e outras formalizadas em representações.