Tribuna do Leitor

Tributo a um irmão escolhido


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Há pessoas que passam por nosso caminho no decorrer de nossas vidas sem acrescentar muito na história que construímos, por serem simples “passantes” e logo a imagem fica em nosso esquecimento. Outras, no entanto, não só acabam fazendo parte da nossa história, como a transformam de maneira definitiva.

Há dias venho buscando palavras que possam expressar com alguma exatidão o que eu e tantas outras pessoas (tenho certeza) estamos sentindo com a ausência do dr. Azenha em nossas vidas. As palavras simplesmente fogem e um turbilhão de sentimentos se confundem entre a saudade do sorriso franco, a admiração pelo grande homem, a gratidão por tudo que realizou e as perguntas que não se calam.

Particularmente, confesso que ainda é muito difícil falar dele sem que a voz embargue, porque no decorrer desses 27 anos em que tive o privilégio de ser sua paciente, esteve presente e foi responsável direto por grandiosas conquistas minhas como ser humano.

Sou portadora de uma paralisia cerebral que comprometeu apenas meus membros inferiores e após 4 cirurgias corretivas (3 delas realizadas por ele) experimentei a sensação de ficar em pé pela primeira vez aos 17 anos.

Foi responsável também por meu processo de readaptação na rede estadual quando eu já atuava na educação e fui surpreendida com um diagnóstico progressivo de artrite nas juntas dos pés, que dificultava minha locomoção.

Em 1997, já não o via apenas como meu ortopedista, mas um grande e querido amigo; que não se furtou a acompanhar de muito perto um dos momentos mais importantes da minha vida como mulher: minha gravidez.

À medida que minha filha crescia, percebíamos que não é necessário ter nas veias o mesmo sangue pra se ter um irmão e um tio escolhido. A pergunta que não se cala no peito, é até costumeira quando perdemos alguém que amamos: “Por que Deus o chamou tão cedo?”

A resposta que hoje acalenta a dor da perda, é que Deus, nosso Pai, sabendo de todas as coisas, mesmo sendo tão grandioso, precisaria de um homem que tivesse o coração de menino que O ajudasse a reparar as asas dos anjinhos peraltas que povoam os céus e não poderia chamá-lo em outro dia que não fosse o dia das crianças. Dói, ainda dói, e vai doer por muito tempo certamente, mas a lembrança, o carinho e a gratidão permanecerão vivos enquanto existir um sopro de vida e o nome Osvaldo Rodrigues Azenha Júnior escrito nas estrelas.

Descanse em paz, meu irmão querido.

Eliane Ribeiro Gomes - professora readaptada de português da EE Professor Ayrton Busch

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